Até amanhã, camarada Odete

A 28 de Dezembro, familiares, amigos, camaradas e diversos outros democratas participaram no adeus a Odete Santos, no Cemitério da Piedade, em Setúbal, terra a que serviu como artista, autarca e militante do PCP por quase meio século, numa despedida que contou com a intervenção de Paulo Raimundo, Secretário-Geral do PCP.

«Uma vida ao serviço da luta em defesa dos trabalhadores e do povo»

As muitas centenas de pessoas que integraram o cortejo fúnebre, desde o Convento de Jesus, comas muitas já reunidas à porta do cemitério, deixaram transparecer a destacada intervençãodesta mulher de Abril e dos seus 82 anos de vida e de luta. Uma partida que, deixando o vazio da presença, nos deixou a marca dos valores, da coragem, da dedicação, marca comum a todos os que, como Odete Santos, «nunca desistem, nunca se submetem», nunca «abdicam da verdade», afirmou o Secretário-Geral do PCP.

Solidária, frontal, «mulher de uma dimensão particular e de notável profundidade de análise», de muitas formas a descreveu Paulo Raimundo, nesteadeus a«uma vida ao serviço da luta em defesa dos trabalhadores e do povo, da igualdade, dos direitos e da emancipação da mulher, da paz, da solidariedade com os povos de todo o mundo». Umavidaque deixa em Setúbal, onde foi vereadora e membro da Assembleia Municipal, e em todo o País, o reflexo dos ideais que sempre nortearam a sua acção.

Deputada por quase trinta anos, foi dirigente do Movimento Democrático de Mulheres e membro da Associação de Amizade Portugal-Cuba,numa prática que deu forma ao que chegou a afirmar: «seria bem pobre a intervenção humana se ela se limitasse à política institucional».

Defensora da emancipação das mulheres, foi, nas palavras de Paulo Raimundo, «o rosto da luta contra o aborto clandestino e pela despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez», numa incansável dedicação «ao projecto de democracia política, económica, social e cultural que a Constituição consagra».

«Declamadora com intensidade e entregas únicas», afirmou o dirigente comunista, recordando a artista e autora de A bruxa Hipátia – o cérebro tem sexo? e Em Maio há cerejas, «obras sobre as quais haveria e há muito ainda por dizer».

«As saudades do futuro nascem da necessidade de transformar o mundo, e, na ante-visão desse mundo futuro, a partir das realidades que conhecemos, das utopias que serão as realidades de amanhã», citou o Secretário-Geral, a partir da última intervenção de Odete na Assembleia da República. Umcaminho que honra «um legado e uma responsabilidade» que o PCP, os trabalhadores e o povo «vão prosseguir», lembrou.

Antes de um longoe saudosoaplauso, Paulo Raimundo despediu-se, fazendo suas as palavras de familiares, amigos, camaradas, homens e mulheres que se uniram num último abraço de despedida. «Obrigado, querida amiga. Até amanhã, camarada!».

 

 



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