Os desafios que enfrentamos dão-nos ainda mais força
«Não menosprezamos as dificuldades, mas cá estamos firmes, determinados, com uma imensa alegria de viver e lutar. E é assim, para irritação dos protagonistas e beneficiários da política de direita», afirmou Paulo Raimundo, em Braga.
Que tranquila seria a vida deles sem quem lhes desse combate
O Secretário-geral do PCP discursou no encerramento da festa-convívio na paraia fluvial de Merelim São Paio, em Braga, no domingo, 17. Uma iniciativa promovida no quadro unitário da CDU com o ambiente fraterno a pautar o dia. Militantes comunistas, ecologistas e muitas homens, mulheres e jovens sem filiação partidária mostraram que a confraternizar, num belo espaço de lazer e recreio, também se forjam laços de camaradagem, retemperam-se forças para a luta que continua.
Após o piquenique, a animação musical e as actividades para crianças e os jogos tradicionais, o tempo foi de intervenções políticas. Primeiro, com Carmindo Soares, Presidente da União de Freguesias de Merelim S. Paio, Panóias e Parada de Tibães, a saudar a realização da iniciativa e a sublinhar as melhorias executadas na praia fluvial, exemplo do trabalho da CDU.
De seguida, na tribuna, Bárbara Barros, vereadora da Câmara Municipal de Braga, alertou para o agravamento da situação social no concelho. Realçou, em especial, o crescente problema do acesso à habitação, designadamente criticando a convergência do Governo do PS e da maioria municipal, liderada pelo PSD, no favorecimento da especulação imobiliária.
Mariana Silva, da Comissão Executiva do Partido Ecologista «Os Verdes», por seu lado, chamou a atenção para o facto de os eleitos da CDU no distrito de Braga terem apresentado, nas diversas assembleias municipais, moções que defendem passes a preços acessíveis, como acontece nas áreas metropolitanas. O objectivo é assegurar que «todos tenham o direito à mobilidade», independentemente do ponto do território em que vivem.
Do mesmo modo, garantiu Mariana Silva, «continuaremos a lutar por um desenvolvimento da ferrovia» que responda «às necessidades das pessoas». Isto porque «a sustentabilidade não se concretiza substituindo milhares de carros a combustível fóssil por milhares de carros eléctricos», mas «criando opções sustentáveis, como se viu na aplicação do PART».
Que jeito lhes dava
A encerrar a festa-convívio, Paulo Raimundo começou por salientar que os desafios que enfrentam os comunistas, os trabalhadores e o povo, «não são suficientes para nos desanimarem. Pelo contrário, cada um deles dá-nos mais força», mesmo que tal desgoste os «contentes e muito confortáveis com a actual situação», aqueles que «utilizam todos os meios que têm – e são muitos e poderosos – para mentir, deturpar, silenciar e manipular».
«Mas é caso para dizer: que tranquila seria a vida deles se não houvesse quem lhes desse combate e mobilizasse contra a sua política de exploração», prosseguiu o Secretário-geral comunista, dando como exemplos a insistência do Partido em denunciar «o escândalo de 42% de toda a riqueza estar nas mãos dos 5% mais ricos, (...) à custa dos 3 milhões de trabalhadores que ganham até mil euros brutos por mês, dos 2 milhões de pessoas na pobreza, das 345 mil crianças em risco de pobreza, dos 400 mil idosos que vivem com rendimentos até 551 euros».
Na mesma toada, mas focando atenções em questões que muito dizem respeito ao povo do distrito, o dirigente comunista lembrou ainda «que jeito daria aos que fazem da doença um negócio, que encaixam de transferências do Orçamento do Estado 6 mil milhões de euros» saídos «dos nossos bolsos direitinhos para os seus cofres», que «o SNS, apesar de todos os ataques e dificuldades, não fosse defendido com unhas e dentes – pelos seus profissionais, pelos utentes e pelos democratas. Veja-se o exemplo aqui do Hospital de Braga», que «gastou 13,7 milhões de euros para fazer 19 200 cirurgias em instalações privadas e em misericórdias, uma opção que permitiu, ainda assim, poupar bastante face à alternativa dos cheques-cirurgia».
«Que jeito lhes daria que abdicássemos da ligação ferroviária directa entre Braga e Guimarães e da intermodalidade tarifária», acrescentou, antes de partir do particular para o geral: «que jeito lhes daria que nos calássemos ou nos deixássemos levar pelo sabor dos ventos ou das marés; que bom seria, para eles, que desistíssemos da política alternativa».
Porém, insistiu Paulo Raimundo, «cá estamos, não para fazer jeitinhos aos grupos económicos» mas, «por inteiro», ao ao serviço dos trabalhadores, das populações, da juventude, dos reformados, micro, pequenos e médios empresários».
Não é por isso de estranhar que muitos já tenham percebido «que, na hora da verdade, lá está o PCP com os trabalhadores e o povo». Como perceberam que, «na hora da verdade, (...), lá estão PS, PSD, IL, CH e CDS, juntinhos e bem unidos para rejeitar as soluções que servem [aqueles]».
Esta é que é a realidade, o resto é propaganda» concluiu.