Jornada Mundial da Juventude

Carlos Gonçalves

Não há como não ver a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), com a participação prevista de um milhão de jovens católicos, de Portugal e do mundo. É um grande evento de massas da juventude – religioso, social, cultural, político –, com enorme impacto, que pode ser visto de forma contraditória, conforme os interesses e conflitos de classe em presença, e que merece a atenção dos trabalhadores, dos democratas, dos comunistas.

Francisco é protagonista da JMJ. É o primeiro Papa não europeu. Em 2013 recuperou o ideário do Concílio Vaticano II, abandonado em 1978 por João Paulo II e Bento XVI. As Encíclicas de Francisco trouxeram a Doutrina Social da Igreja Católica (IC) para posições reformistas mais avançadas – na denúncia da «economia que mata», na defesa dos trabalhadores, dos pobres e dos povos oprimidos, na luta pelo pão, trabalho, habitação, desenvolvimento, pela «sociedade alternativa» e pela paz, agora, em todas as guerras.

Este caminho trouxe a oposição feroz da hierarquia católica dominante nos USA e em grande parte da UE, de sectores do grande capital e seus cúmplices.

Neste País, grandes interesses, os que atiram a pedra e escondem a mão, em particular os sectores mais reacionários, estão no combate ao Papa e à JMJ, porque não querem Francisco por cá.

Os trabalhadores e o povo têm a experiência da luta contra o fascismo e a guerra, contra a exploração, pela liberdade e em defesa de Abril, em que católicos e crentes progressistas assumem papel relevante, com os comunistas e outros democratas. É também neste espírito que se deve olhar hoje para a JMJ e a afirmação identificada nos seus objectivos da justiça social, da solidariedade e da paz.

Dizia Álvaro Cunhal, que este caminho importa mais do que «aquilo que nos separa», por um Portugal com futuro.



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