Aumenta tudo mas, com a luta, também aumentam os salários!

Ricardo Costa (Membro da Comissão Política)

Não faltámos na proposta, na resposta e exigência

A dúvida que hoje assiste a muita gente é: o que pagar? Sim, porque o dinheiro não chega para tudo. Com o aumento brutal do custo de vida, muitos trabalhadores, reformados ou pensionistas, são hoje confrontados com aumentos de centenas de euros nas suas despesas fixas ou essenciais.

O que pagar? Porque se não chega para a luz, água e gás, qual das contas fica para o mês seguinte? Qual delas se vai acumular às outras que virão, na já difícil pobreza instalada e que agora se agrava. Se não chega para a carne, para o leite, fruta, peixe, arroz ou batata, a opção é comer menos, somando fome à barriga vazia do dia anterior.

Se somarmos a esta já difícil situação o enorme aumento do custo da habitação, percebemos que o País não «está melhor», como era afirmado por PSD/CDS no seu governo e agora repetido pelo Governo do PS. Um brutal aumento de centenas de euros na prestação a pagar ao banco desde que começaram a subir as taxas de juro que passaram de zero para quatro por cento em um ano. Centenas de euros que muitas das vezes são já incomportáveis para muitas famílias, centenas de euros que, somadas, fazem a banca anunciar lucros atrás de lucros.

Lucros que, para lá dos da banca, se vão acumulando, fruto da especulação que o capital está a promover, seja pelo acentuar da exploração dos trabalhadores, seja pela especulação dos preços: a grande distribuição, as empresas da energia, os grupos económicos da saúde lá vão anunciando milhões em cima de milhões. São variadas as justificações que procuram utilizar para lhes permitir continuar a amealhar. É caso para dizer que os nossos sacrifícios estão nos bolsos deles.

Sendo esta a realidade, importa fazer outra pergunta para lá de «O que pagar?». E a pergunta que se impõe é «O que fazer?»

 

Luta com resultados

A situação que hoje vivemos não tem um quadro ainda mais negro porque os trabalhadores, os reformados e pensionistas, têm exigido respostas às suas reivindicações e anseios e têm travado essa luta, que tem sido tão fundamental.

Foi essa luta que forçou o Governo do PS a reconhecer que não há nenhuma «espiral inflacionista» quando actualizou os salários da Administração Pública, ou quando repôs, ainda que com alguma «manha», o aumento das pensões e reformas. Foi esta luta que em muitos locais de trabalho e empresas por todo o País forçou o patronato a responder à exigência do aumento dos salários e restantes matérias pecuniárias, nalguns casos com ganhos significativos.

Foi esta luta que, com a expressão alargada que teve no dia 28 de Junho, no Dia Nacional de Luta marcado pela CGTP-IN, e que voltou a colocar a necessidade de respostas aos problemas, tem deixado uma porta aberta para a esperança e determinação na continuação da luta por um outro rumo para o País.

Como refere o último comunicado do Comité Central do Partido, a «agudização dos problemas que a política de direita continuará a impor nos próximos meses coloca a necessidade de tomar a iniciativa no plano político e institucional para que se assegurem medidas visando designadamente: o aumento dos salários e pensões; o reforço do SNS; o arranque do ano lectivo com qualidade; a justiça fiscal; a regulação do valor das rendas na habitação e a descida do seu valor e das prestações aos bancos; a gratuitidade das creches para todas as crianças, com a criação de uma rede pública; a resposta aos problemas da seca e a garantia da gestão pública e do acesso à água; o investimento na prevenção dos incêndios e o reforço da protecção civil; a interrupção das privatizações da TAP e da EFACEC; o reforço do investimento em infraestruturas e equipamentos e no desenvolvimento da produção nacional».

Para todos estes combates, os trabalhadores e o povo sabem que podem contar com o PCP. Não faltámos na proposta, na resposta e exigência. Cá estamos para concretizar uma política alternativa que seja capaz de inverter o actual rumo que o País segue, bem como criar um caminho de resposta aos problemas e do desenvolvimento de que o País precisa.




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