Nos 90 anos de Maria da Piedade Morgadinho
Maria da Piedade Morgadinho cumpriu há dias 90 anos de idade e o Partido a que aderiu há sete décadas fez questão de assinalar a data com um grande almoço na Quinta da Atalaia, que reuniu mais de 160 pessoas, entre familiares, amigos e camaradas. Visivelmente emocionada, confessou estar a viver, ali, um momento particularmente feliz da sua vida.
«Não dei nada ao Partido, o Partido é que me deu tudo», realçou, sublinhando que foi no PCP que aprendeu o que era a democracia, a fraternidade e a solidariedade. E garantiu que se o Partido é uma grande e permanente escola de formação política e ideológica, é também uma «escola de formação de carácter». Dois sentimentos predominam quando pensa na sua longa militância: orgulho de pertencer ao PCP e humildade por ter plena noção de que o Partido já existia antes dela e cá continuará, pelos anos fora.
Mas apesar dos seus 90 anos de idade e 70 de militância comunista, 67 dos quais como funcionária, este almoço não foi uma despedida: «não estou a pensar ir para casa, calçar as pantufas e olhar estupidamente para a televisão.» Maria da Piedade Morgadinho é actualmente membro da Comissão Central de Quadros, da Comissão de Cursos e da redacção da revista O Militante.
Antes, já José Capucho, do Secretariado e da Comissão Política, tinha salientado a «vida de luta e resistência» de Maria da Piedade Morgadinho. Nascida em Aljustrel, estudava no Liceu de Beja quando, em 1949, participou no movimento democrático de apoio à candidatura de Norton de Matos à Presidência da República. Em 1953 integrava a direcção do MUD Juvenil na Universidade de Lisboa e dois anos depois a sua Comissão Central.
Membro do Partido desde 1954, vai para Moscovo em 1957 para trabalhar na Rádio Moscovo. De Maio de 1962 a Maio de 1974 está na Rádio Portugal Livre, que assumiu um importante papel na luta contra o fascismo e na denúncia dos crimes do imperialismo. Entretanto, em 1969, participa no Congresso das Mulheres, em Helsínquia. Após o 25 de Abril, integra a redacção do Avante!, as direcções regionais de Leiria, Santarém e Lisboa, o Comité Central, a Comissão Central e Controlo e Quadros e a Comissão Central de Controlo.
Deu, e dá, um «valioso contributo para a formação política e ideológica dos quadros, quer nos cursos e nas acções de formação onde participa, quer em muitos artigos publicados no Avante! e n’ O Militante», valorizou aquele dirigente, acrescentando: «firme, convicta, confiante na justeza dos nossos ideais, exigente no trabalho; sempre com uma alegria de viver e de lutar, de conviver e ajudar.»