Portagens com aumento do milénio
O maior aumento nos preços das portagens nos últimos vinte anos «irá agravar ainda mais o custo de vida para os trabalhadores e as populações, bem como a situação de milhares de micro, pequenas e médias empresas», adverte o Partido, que, em nota divulgada pelo seu gabinete de imprensa, lamenta o anúncio do Governo «quando se impunha assegurar a limitação destes aumentos, garantindo que os mesmos não seriam superiores aos que vigoraram no presente ano, tal como o PCP tem vindo a propor».
Os comunistas portugueses assinalam, ainda, que, ao aumento das tarifas de utilização, acresce a garantia do executivo liderado por António Costa de que «irá financiar com recursos públicos as concessionárias em pelo menos 140 milhões de euros (além dos 1,4 mil milhões de euros que arrecadam anualmente)», decisão que assegura «às concessionárias uma receita equivalente a um aumento do preço em 7,7%» e «ultrapassa largamente o aumento dos custos operacionais inerentes à manutenção e funcionamento das infra-estruturas».
«O PCP chama ainda a atenção para a demagogia usada pelo Governo na justificação desta medida, apresentando-a como um esforço tripartido – utilizadores, Estado e concessionárias –, quando, na verdade, os verdadeiros e únicos beneficiários são os grupos económicos que detêm as concessões», lê-se no texto, antes de se reclamar «o resgate das concessões das auto-estradas e pontes que, apesar de terem sido construídas com recursos públicos, estão sob o domínio dos grupos económicos privados que as exploram em seu proveito», a «eliminação das portagens nas chamadas SCUT», e «a reversão da decisão anunciada e a limitação dos aumentos para 2023 a um valor nunca superior a 1%».