Primeiro-ministro longe da realidade da maioria

O chefe do Governo pinta uma imagem do País em que «dificilmente os portugueses se reconhecerão», considerou, domingo, Jorge Pires.

A confiança materializa-se aplicando medidas reclamadas pelo PCP

Reagindo à mensagem que António Costa dirigiu aos portugueses no dia de Natal, o membro da Comissão Política do PCP começou por criticar o facto de o primeiro-ministro repetir a palavra «confiança» sem, no entanto, resolver problemas que atingem os trabalhadores, os pensionistas e os reformados, tais como os baixos salários, pensões e reformas, a contrastarem com o galopante aumento dos preços que lhes diminui o poder de compra.

«Confiança no futuro passa por um conjunto de medidas que o PCP tem, há muito, vindo a reclamar e que sistematicamente o Governo do PS recusa», acusou ainda Jorge Pires, que lamentou o avolumar das injustiças sociais, uma vez que «enquanto os portugueses vão pagando essa especulação em torno dos preços, os grupos económicos ganham cada vez mais dinheiro».

Lucros que crescem e acumulam-se nos sectores «energético, da distribuição, da banca e dos seguros», denunciou o dirigente comunista, que exemplificou com o escândalo de a Galp, «nestes primeiros nove meses do ano, ter lucrado mais de 600 milhões de euros e ter já anunciado que vai distribuir 900 milhões pelos accionistas».

Acresce a situação na banca, com os maiores grupos a lucrarem, em igual período, «mais de 1300 milhões de euros», ou na distribuição alimentar, com as duas grandes empresas a arrecadarem «mais de 500 milhões de euros de lucros nestes primeiros nove meses do ano».

Não se pode, portanto, «falar em confiança no futuro olhando para esta situação e não tomando as medidas necessárias», considerou igualmente Jorge Pires, para quem, entre aquelas, estão a valorização das pensões e reformas e dos salários, em particular o Salário Mínimo Nacional, o qual o Partido, recordou também, propôs que aumentasse para 850 euros já em Janeiro de 2023, ao invés dos cerca de 760 euros impostos pelo Governo.

«Como é que os jovens podem ter um futuro mais risonho com a contínua estratificação no acesso (…) a patamares superiores do conhecimento», com «precariedade no trabalho» e cada vez menos «possibilidade de pagar uma renda de casa e constituir família?», questionou por fim Jorge Pires, que concluiu que «o primeiro-ministro fez um esforço para dar uma imagem da situação que não corresponde à realidade que os portugueses sentem no dia a dia».



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