Cada braço é uma alavanca
«Sou optimista de que no futuro tudo melhorará. A derrota do capitalismo é inevitável. As coisas demoram tempo, mas temos de ter essa perspectiva de continuar a avançar na nossa intervenção individual e colectiva», disse-nos Diogo, militante comunista desde o início de Março. Única, rara e insubstituível, na sua opinião, são algumas das muitas palavras que podem descrever a unidade, a fraternidade e a perseverança que caracterizam a militância no PCP. Diogo, 27 anos, natural do Funchal, apesar de militante há apenas seis meses, já o sabe. E pede aos restantes camaradas que olhem o futuro com confiança, certo de que encontrou o espaço político em que pretende intervir.
Diogo recorda que foi a partir dos seus 15 anos que começou a reconhecer a existência do PCP. Admite ainda que, com essa idade, começou a prestar atenção ao desenvolvimento da vida política nacional. O seu pai era, e ainda é, sindicalista, e a palavra sindicato, as discussões sobre temas laborais e sobre política nunca foram «tópicos tabu», nem nunca faltaram no seu dia-a-dia. O espectro político que orientava essas conversas, ainda que não o mesmo, nunca foi estranho ao lugar e à orientação do PCP.
Diogo terminou o Ensino Secundário, ingressou no Ensino Superior, onde se dedicou a Artes e Humanidades, área com uma forte vertente histórica. Rapidamente, conta o militante, percebeu que a história é sempre contada a partir de uma certa perspectiva. Procurou conhecer todas e, partir de então, interessou-se cada vez mais pela «história do comunismo». Eventualmente, chegou à fonte, a Marx e a Engels, e adquiriu um substrato ideológico muito mais concreto. Daí até procurar o PCP foi uma questão de tempo.
O passo deu-o no final de Fevereiro. O processo gradual que se vinha desenvolvendo, coincidiu com o término do contrato de estágio profissional de um ano, que estava a cumprir na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira como arquivista. Percebeu que aquele era o momento certo para «tentar fazer a diferença, ter intervenção de acordo com as suas convicções».
De Março para cá, Diogo só lamenta não poder contribuir mais. Mas espera poder, no futuro próximo, continuar a ajudar o Partido.
Gonçalo é mais novo quase dez anos. Natural da mesma cidade e aluno na Universidade da Madeira, admite que, ao contrário de Diogo, a política não era tema comum à mesa de casa. Apesar de conhecer o Partido, foi apenas com um amigo, militante da JCP, que começou a aprender sobre ideias marxistas-leninistas. Quando lhe perguntam o porquê da sua decisão de se inscrever no PCP, a resposta surge rápida e simples: «Porque comecei a perceber que os comunistas estão ao lado de pessoas como eu. Também percebi que o Partido precisa de ajuda». E foi assim que, depois de um convite para visitar o Centro de Trabalho do Funchal, pediu para preencher a ficha de membro do PCP.
Tendo-se inscrito durante o Verão, Gonçalo não conta ainda com muito tempo de militância. Mas desde então, admite que já começou a ver o mundo e o que o rodeia com outros olhos. «Penso mais nas injustiças e nos problemas que existem, especialmente nesta região», exemplifica.