Alta velocidade em contra-mão com população do Porto e Gaia

«A ligação de alta velocidade Porto-Lisboa é urgente e não é incompatível com as respostas aos problemas de mobilidade e às dinâmicas regionais que é necessário desenvolver», consideram as concelhias do Porto e de Vila Nova de Gaia do Partido.

O tempo vem dar razão às críticas e alertas do PCP

As estruturas do PCP reagiram, no início da semana passada, ao anúncio, por parte do Governo, da construção de uma nova travessia sobre o Douro, com dois tabuleiros para dar resposta à ligação ferroviária e rodoviária, notando, em primeiro lugar, tratar-se de uma «solução sem qualquer discussão, pré-anunciada pela comunicação social», e acerca da qual «os presidentes das câmaras municipais do Porto e de Gaia referem apenas ter sido informados».

Para o Partido, «fica mais uma vez evidente o total desnorte dos responsáveis políticos autárquicos e da Área Metropolitana do Porto (AMP), bem como a gritante desarticulação com o governo. Fica ainda clara a falta de capacidade de intervenção e poder reivindicativo da CCDR-N que, num processo com esta importância para o desenvolvimento regional, nada diz», ao que acresce a «postura de subserviência dos presidentes das Câmaras do Porto e de Gaia face a uma solução imposta pelo Governo e a Infra-estruturas de Portugal».

«O tempo vem dar razão às críticas e alertas do PCP», salienta-se também no comunicado conjunto das concelhias do Porto e de Gaia, em referência à «necessidade de promover uma discussão regional» sobre infra-estruturas como as que estão em causa. Isto porque, há cerca de três anos, «os presidentes das câmaras do Porto e Gaia lançaram o processo para a construção uma nova ponte sobre o Douro sem que a sua localização e função tenham sido devidamente discutidas nas respectivas autarquias e na AMP, sem qualquer envolvimento das populações e dos utentes».

Desnorte

De resto, a «fórmula» foi repetida pela Metro do Porto na projecção da nova Linha Rubi, «daí a contestação que a localização e cota da mesma tem merecido por parte da população», assinala o PCP, para quem «agora, à semelhança destes, o Governo apresenta uma nova solução que terá implicações nos compromissos assumidos pelos municípios de Porto e Gaia, sem promover qualquer discussão regional ou local».

«Esta é mais uma situação que vem demonstrar a falta de de capacidade de intervenção e planeamento, bem como o desprezo pelos órgãos autárquicos, quer da maioria PS no governo, quer das maiorias que governam as câmaras do Porto e de Gaia e da AMP».

«Aos presidentes das Câmaras Municipais do Porto e de Gaia, bem como aos responsáveis da AMP e CCDR-N, o que se exige é que defendam os interesses da região e intervenham no processo garantindo a efectiva concretização da linha de TGV», considera igualmente o Partido, que insiste no benefício e urgência de «estratégias conjuntas entre os municípios de Gaia e do Porto, integradas num plano estratégico de desenvolvimento para a região, com o envolvimento de todos os actores regionais e locais na definição das prioridades e sem soluções avulsas e aventureiristas».


Passo de caracol entre Braga e Guimarães

Também a propósito da intenção do Governo de avançar com a ligação de alta velocidade entre Lisboa, Porto e Vigo (Galiza), o projecto prevê a construção de novas estações em Braga e de novas ligações entre Braga e o aeroporto do Porto e entre Braga e Valença. Ora, a Direcção da Organização Regional de Braga (DORB) do PCP manifesta «preocupações e interrogações», uma vez que aquele carece de uma «perspectiva mais abrangente de reforço do transporte ferroviário», assim como de articulação «com os investimentos que são urgentes realizar, nomeadamente a concretização da ligação ferroviária directa entre os concelhos de Braga e de Guimarães».

O Partido há muito que defende com particular insistência esta última, e justifica com o facto de, não havendo uma linha ferroviária que una directamente os dois concelhos, a viagem de comboio demorar, em média, mais de 1h30m «para percorrer a distância de apenas 25 km». Ou dito de outro modo, a 16 km/h!

Mais, salientam os comunistas, «a inexistência de uma cintura ferroviária entre as quatro maiores cidades da região (Braga, Guimarães, Barcelos e Vila Nova de Famalicão), juntamente com a destruição de linhas férreas – como a ligação entre Guimarães e Fafe ou Vila Nova de Famalicão e Póvoa de Varzim – e o adiamento de importantes investimentos, são alguns dos factores que limitam a importância estratégica e estruturante do caminho-de-ferro».

Neste sentido, «o anúncio feito pelo Governo nada diz acerca destas ligações ferroviárias necessárias concretizar na região, limitando-se a adiantar intenções vagas sobre a alta velocidade, com datas longínquas e projectos cuja concretização depende não apenas de capacidades nacionais mas também de decisões políticas das autoridades espanholas», prossegue a DORB do PCP, que defende «planeamento com profundidade» numa «zona de tão elevada densidade populacional».




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