Governo falha nas respostas à habitação
Dois projectos de resolução do PCP com propostas orientadas para a defesa do direito à habitação estiveram em debate faz hoje uma semana, 6, vindo a ser chumbados pelos votos contra de PS, PSD e IL, com a abstenção do CH e os votos favoráveis dos restantes partidos.
Um dos diplomas propunha a fixação de um spread máximo pela CGD para o crédito à habitação, o outro recomendava ao Governo a adopção de medidas urgentes para responder aos aumentos no crédito à habitação.
Neste agendamento fixado pelo BE, onde todos os partidos levaram propostas a debate, a excepção foi protagonizada pelo PS, que entendeu não apresentar nenhuma, mesmo sabendo da situação dramática em que se encontram milhares de famílias.
O que mereceu severas críticas das restantes forças políticas, em particular do PCP. Paula Santos, líder da bancada comunista, considerou que a situação com que estão confrontadas as famílias é «gravíssima», sublinhando que o «que interessa é impedir que as pessoas percam a casa e que vão para a rua».
«Essa devia ser a preocupação do PS mas, pelos vistos, estão mais preocupados com a banca», verberou a deputada do PCP, inconformada com a posição assumida, pelo que este era um «debate extemporâneo, em cima da entrega do OE». Foi o que disse o deputado Hugo Soares, acreditando que o Governo «acompanha a situação social económica e não deixará de intervir quando os portugueses precisarem», na mesma linha do discurso do Secretário de Estado do Tesouro Governo, que adiantou que o Executivo estava a preparar uma proposta no crédito à habitação de resposta ao «agravamento da taxa de esforço das famílias», argumento que não convenceu as bancadas à esquerda do hemiciclo.
A deputada comunista Alma Rivera contestou também o posicionamento das bancadas do Governo e do PS, sublinhando que «naquilo em que é preciso coragem – regular o mercado, revogar a lei dos despejos do PSD, condicionar os preços da habitação -, o PS não tem coragem nenhuma». E acrescentou: «Quando é preciso enfrentar os grupos económicos, o PS encolhe-se».