Evocar Saramago pelo seu contributo para o sonho, transformação e progresso

Uma sessão pública, enquadrada nas comemorações do Centenário de José Saramago, assinalou, no dia 2, o génio literário e a dedicação militante do escritor. A iniciativa, que teve lugar na Azinhaga, Golegã, contou com a participação de Jerónimo de Sousa.

«Saramago foi um escritor que veio do povo trabalhador, a quem amou e foi fiel»

A 30 de Outubro de 2021, numa sessão cultural realizada no Fórum Lisboa, foi apresentado o programa de iniciativas com que o PCP se propôs comemorar os cem anos do nascimento de José Saramago, sob o lema Escritor Universal, intelectual de Abril, militante comunista. Desde então que os comunistas, amigos e outros progressistas de todo o País se têm juntado em inúmeras iniciativas dando força a estas comemorações.

No sábado, foi a vez da aldeia de Azinhaga, na Golegã – terra que viu nascer José Saramago –, receber muitos militantes e dirigentes do Partido, entre os quais se incluíam Rui Fernandes, da Comissão Política, e Rui Braga, do Secretariado, e muitos outros amigos para uma sessão pública do PCP.

O intenso calor que se abateu sobre a aldeia durante o dia, e que se prolongou até ao final da tarde, não intimidou os muitos presentes que, ao sol, começaram a tomar os lugares na plateia improvisada para assistir ao momento cultural que se seguiria. Com o rio Almonda como pano de fundo, ao som de guitarra portuguesa, foi a declamação de alguns excertos sobre Azinhaga, das Pequenas Memórias da autoria do próprio homenageado, que inaugurou o curto, mas pleno momento dedicado ao escritor. Ainda com uma passagem pelo texto Privatize-se tudo, presente nos Cadernos de Lanzarote, a leitura de alguns dos Poemas Possíveis, entre outros breves apontamentos, chegou a vez do Secretário-geral do Partido, Jerónimo de Sousa, usar da palavra.

«Chegou o dia de celebrarmos esse criador de uma vasta e singular obra literária que foi José Saramago, aqui, em Azinhaga, nesta terra que o viu nascer, sempre amou e nunca esqueceu», começou por salientar, recordando que o escritor partiu dali, ainda novo, para Lisboa com os pais. Porém, não deixou de salientar Jerónimo de Sousa, a sua aldeia acompanhou-o sempre: nos anos até à adolescência, enquanto por ali andou, «indo e vindo», até Estocolmo, onde recebeu o alto galardão da literatura.

A terra, e as injustiças inerentes a quem lá sempre viveu, marcou-o ao longo da sua vida e obra. «O escritor José Saramago sabia de onde vinha e não o esqueceu», reconheceu o dirigente comunista.

Intelectual de Abril

«Sabemos quão vasta é a obra de José Saramago e quanto fica de fora destas palavras que são de reconhecimento e de celebração. Quantos romances, quantos contos, quanta poesia, teatro e crónicas de uma obra ímpar poderiam aqui ser recordados», afirmou o Secretário-geral do PCP, acrescentando que ali se evocou o escritor, mas também o «intelectual» e o homem que em vida «tomou partido ao lado do seu povo, na sua luta contra o fascismo e depois pela democracia de Abril e em sua defesa».

José Saramago foi ainda o intelectual que contribuiu para a afirmação da cultura portuguesa, participou na resistência à ditadura apoiando a candidatura de Norton de Matos, que conseguiu «subir ao povo, com ele comungar as agruras da vida e das lutas» e que «com orgulho patenteava a sua condição de militante».

 



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