Desdita com Aeroporto atesta submissão à Vinci
A construção do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) em Alcochete é a solução que serve os interesses do País, reafirmou o PCP na sequência da trapalhada governamental em torno da construção da alternativa à Portela, a qual revelou a submissão à multinacional Vinci.
A solução é construir o NAL em Alcochete, reafirma o PCP
Reagindo à revogação, dia 30, pelo primeiro-ministro António Costa, de um despacho do ministro das Infra-estruturas, Pedro Nuno Santos, que, dia 29, apontava a construção de um aeroporto no Montijo e, posteriormente, outro em Alcochete, como solução aeroportuária para a região de Lisboa, a presidente do Grupo Parlamentar do PCP considerou que os acontecimentos revelam «a intenção do PS, em articulação com o PSD, de servir os interesses da Vinci», negando ao País «uma infra-estrutura que permitia, de facto, o seu desenvolvimento».
Paula Santos sublinhou, ainda, que a desdita mostra «as dificuldades em justificar por que é que [o Governo] se mantém submisso aos interesses da ANA/Vinci», em vez de defender «o interesse nacional», traduzido na «construção faseada do NAL no Campo de Tiro de Alcochete.»
Antes, em comunicado divulgado pelo seu gabinete de imprensa, o Partido realçou que «avançar com a construção de um segundo aeroporto no Montijo - ao mesmo tempo que estão a decorrer investimentos na Portela –, para, depois, em data incerta, construir o NAL no Campo de Tiro de Alcochete, encerrando os dois primeiros, não é minimamente credível e só não é ridículo porque se arrisca a fazer perder centenas de milhões de euros de fundos públicos.»
Neste contexto, o Partido reafirmou que «a solução que melhor serve os interesses nacionais e que há muito deveria estar em concretização, é a construção faseada do NAL nos terrenos públicos do Campo de Tiro de Alcochete, como o próprio Governo acaba por reconhecer».
Beja no imediato
Já no sábado, 2 de Julho, a Comissão Concelhia do Montijo do PCP também salientou que «o despacho do Governo, apesar da sua revogação, vem reconhecer claramente que a solução Lisboa mais BA6 (Montijo), não resolve o problema de fundo». E insistiu que «o que está em causa, por um lado, é a opção entre a defesa do interesse público e a construção de uma infra-estrutura que sirva, no futuro, o País, a região e o Montijo, o seu desenvolvimento estruturado e a defesa das populações com a minimização dos impactos ambientais, como já foi reafirmado por técnicos e especialistas», e, por outro, «os objectivos, reivindicações e interesses da multinacional Vinci e a lógica de maximização do lucro.»
Igualmente no sábado, a Direcção da Organização de Beja do PCP acrescentou que «no quadro do aumento da procura e da falta de capacidade de resposta dos aeroportos de Lisboa e Faro (…), o Aeroporto de Beja deve ser colocado ao serviço do País, tirando partido de todas as suas possibilidades, considerando que tem condições para receber aviões de média e grande dimensão, capaz de escoar grande parte do tráfego, permitindo que o Alentejo cresça ainda mais no plano da oferta turística e de escoamento de produtos.»