Centenário de Saramago arranca em Braga

No âmbito das comemorações do Centenário de José Saramago que o PCP está a promover, sob o lema «Escritor Universal, intelectual de Abril, militante comunista», a DORB realizou, dia 3, um debate em torno do livro «Ensaio sobre a Lucidez».

Foi destacado o compromisso de Saramago com a luta e o povo

Pretendeu-se com esta iniciativa evocar a vida e obra de José Saramago, plena de actualidade, bem como reflectir sobre temáticas tratadas na obra, como os riscos existentes para a democracia, as condicionantes das eleições, a valia imensa do direito ao voto conquistado ao longo de uma história de impedimentos e proibições para as classes trabalhadoras e várias camadas sociais.

Participaram José Manuel Mendes, escritor e Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, e António Filipe, jurista e professor universitário, membro do Comité Central do PCP. A moderação coube a Rosa Guimarães, professora e membro da Comissão Concelhia de Guimarães do PCP.

Na Biblioteca Municipal de Guimarães, perante uma plateia que tornou a sala pequena, José Manuel Mendes recordou várias das obras de José Saramago, bem como o seu percurso como escritor. Na sequência de «Ensaio sobre a Cegueira», segundo José Manuel Mendes, o «Ensaio sobre a Lucidez» convida à reflexão sobre as sociedades e a superação dos problemas. Sem adiantar soluções, esta obra realça o poder negativo da cegueira extrema e o maniqueísmo que o poder dirigente por vezes assume. «Este é um livro que apela a que cada um saía da sonolência!» afirmou.

António Filipe, a partir dos diálogos das personagens do romance, ilustrou até onde um poder que se sinta ameaçado pode ir, mesmo que não saiba exactamente o porquê. Para o dirigente comunista, a história está repleta de exemplos de manipulação e de bodes expiatórios. «No livro, as autoridades determinam à polícia que descubra quem está na base das movimentações e que, se não encontrar, que invente» afirmou António Filipe.

O voto em branco não é apresentado no livro como solução, mas como expressão do descontentamento da larga maioria da população ficcionada na obra. Para António Filipe, «temos que transportar o livro para a realidade, saltar do romance para a vida. Têm que ser as pessoas a tomar o destino das suas vidas. A transformação social faz-se com a participação activa das pessoas, com o seu voto, mas não só. Com a participação social, associativa, sindical e política», concluiu.

Na sessão foi ainda destacado o compromisso que José Saramago manteve, ao longo de toda a sua vida, com a luta pela justiça social e a sua profunda ligação ao povo.




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