Dar o passo da militância
Esta semana o Avante! conversou com dois novos militantes que, como muitos outros, são a prova viva de que não existe idade para chegar ao Partido.
Para lá dos laços de camaradagem que os unem, mesmo que não se conheçam formalmente, têm em comum a cidade em que vivem – Évora. Além disso, apenas o desejo de transformar a realidade e conquistar um melhor futuro para si e para aqueles que os rodeiam, pois um comunista, lá dizia o poeta, não termina em si próprio.
Carlos tem 48 anos e trabalha na Câmara Municipal (CM) de Évora, onde é cantoneiro. Não faz ideia de qual foi a primeira vez que ouviu falar do PCP. «O Partido sempre fez parte da minha vida», conta. Desde pequeno que sempre acompanhou a sua mãe, sindicalizada, em todas as lutas em que esta participava. Em sua casa, tanto o 1.º de Maio como o 25 de Abril sempre foram celebrações com muita importância.
No entanto, até há um ano, momento em que preencheu a ficha de inscrição, as ligações que sempre manteve ao Partido ficavam em segundo plano. Participou em vários processos eleitorais autárquicos como independente, tinha amigos comunistas, mas nunca passou disso.
Foi o nascimento do seu filho que alterou a sua maneira de pensar. «Fui pai um bocadinho mais tarde. Tenho um filho com dez anos. Foi com ele que abri os olhos», afirma. «As coisas começaram a funcionar de forma diferente porque deixei de ser apenas eu e comecei a pensar numa nova pessoa que nasceu e que precisa de ter um futuro», acrescenta.
Abriu os olhos, como diz, e começou a prestar mais atenção ao mundo e ao País. Isso levou-o para um «patamar de luta mais a sério». Outro «clique» deu-se quando começou a trabalhar para a CM de Évora. «Como morador e natural daqui, sempre achei que descurei um bocado o cuidado pela minha cidade. Vim para a Câmara com esse sentido, porque não tinha falta de trabalho», revela. «Achei que iria encontrar sentido no meu trabalho. Para mim, trabalhar sempre foi para chegar ao final do mês e receber. Aqui na CM empenho-me em melhorar a cidade.»
Foram estes dois elementos que o levaram a aderir ao PCP e ao sindicato da administração local, o STAL. Volvido um ano, as suas responsabilidades passam pela colagem de mupis, por algumas distribuições, como as da campanha contra o aumento do custo de vida, e será delegado ao 10.º congresso regional do Alentejo do STAL.
Carolina é mais nova, tem 22 anos. Licenciou-se em Cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema, estuda na Academia dos Amadores de Música e trabalha no Teatro Garcia Resende em Évora.
A sua família, pelo menos desde o seu avô, sempre manteve uma forte ligação ao comunismo. Em 2020, com a pandemia, assistiu a tudo o que se abateu sobre os trabalhadores do sector da cultura e começou a prestar mais atenção ao PCP. «É o único partido que dá atenção a estes trabalhadores e que nos tem ajudado. Não só aos jovens da cultura, mas a todos os outros», afirma.
Nas eleições autárquicas de 2021 esteve ao lado da CDU e ajudou no trabalho da campanha com vídeos, imagens e comunicação nas redes sociais. Quando saíram os resultados das eleições, os nervos e a comoção fizeram-na perceber que tinha de continuar a participar na luta e a trabalhar com todos os outros companheiros.
Carolina acabou por se inscrever, em Março deste ano. Continua a dar apoio ao Partido na área da imagem e do vídeo e afirma, a quem ainda terá dúvidas sobre aderir ou não ao PCP, que se «não dermos o primeiro passo, ninguém o dará por nós».