Transportes rodoviários, correios e saúde com carências evidentes no grande Porto
Degradação dos serviços e condições de trabalho nos STCP e CTT e não reforço e valorização do SNS está a ter consequências nestes serviços públicos na região Norte, alertou a Direcção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP.
O PCP denuncia a situação e exige que o governo intervenha
No início de Maio, a DORP reuniu com o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários Urbanos do Norte e, no balanço da avaliação efectuada às condições de operação na região, problemas e necessidades de serviço na Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), concluiu que a realidade contraria a propaganda acerca de «uma empresa onde tudo funciona e ninguém está descontente», veiculada em «declarações públicas do presidente da Câmara Municipal do Porto».
Na empresa intermunicipal, trabalhadores e sindicato identificam quatro questões principais, sintetizou o Partido em nota de imprensa. Designadamente «a falta de viaturas e motoristas, com reflexos em dezenas de serviços não cumpridos diariamente» ou, nalguns casos identificados; na duplicação do tempo de espera entre carreiras; a sobrecarga dos motoristas, acarretando «jornadas de 7, 8, 9 ou 10 horas seguidas, sem qualquer pausa para descanso ou refeições, com sérios prejuízos para a segurança do motorista e dos passageiros; a não valorização dos trabalhadores, com os STCP a proporem um aumento salarial de 15 ou 20 cêntimos por dia, o que contraria «várias afirmações públicas de que se está num processo de aproximação das condições existentes na Carris, situação que esta proposta desmente cabalmente»; o processo de intermunicipalização, que não só não tem resolvido nenhum problema, como os tem agravado todos e, no futuro, pode significar «que a administração central se demitirá de investimentos», os quais, teme-se, «as autarquias poderão não conseguir suportar».
«O PCP prosseguirá o acompanhamento e intervenção sobre a situação desta empresa estratégica, expressando a solidariedade com os trabalhadores que ao longo dos anos tudo têm feito para que a STCP cumpra o serviço público com que está comprometida», afirma ainda a DORP.
Antes, os comunistas portuenses reuniram com o SNTCT – Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, e constataram igual degradação no serviço Postal, «com o encerramento de serviços, despedimento de trabalhadores e incumprimento de prazos», denunciam.
«Recentemente, o governo PS promoveu uma alteração à Lei postal para beneficiar o concessionário privado (Grupo Champalimaud) a quem prolongou a concessão até 2028, reduzindo os poderes de fiscalização da ANACOM e permitindo uma maior degradação da qualidade do serviço e um agravamento ainda mais significativo de preços».
«Enquanto os accionistas dos CTT acumularam mais de 227 milhões de euros, os trabalhadores sofrem com o agravamento da exploração e as populações e as empresas sofrem com o encerramento de centenas de estações e um serviço mais lento, mais caro e menos fiável», acrescenta a DORP, que adverte que «a não contratação urgente dos mais de 200 carteiros em falta na região norte poderá levar a situações muito mais graves no período de férias».
«O PCP denuncia esta situação e exige que o governo intervenha para a sua resolução, sem deixar de apontar a recuperação do controlo público dos CTT como indispensável à defesa de um serviço público de correios, ao serviço do povo e do País», prossegue-se no texto datado de 3 de Maio.
Salvar o SNS
Já no final do mês de Abril, a DORP do PCP reuniu com a Administração Regional de Saúde do Norte para aquilatar da «capacidade de resposta do Cuidados de Saúde Primários na região e, em particular, a recuperação após o período epidemiológico».
Os cuidados encontram-se «ao nível pré-epidemia», informou a ARS-Norte. Contudo, importa «ter em conta que durante quase dois anos não se realizaram rastreios oncológicos, à diabetes ou o rastreio visual infantil», o que reclama, como o PCP tem vindo a exigir, o «reforço do Serviço Nacional de Saúde e, em particular dos Cuidados de Saúde Primários».
«Um reforço só possível com maior capacidade financeira para assegurar médico e enfermeiro de família a todos os utentes, para dotar os centros de saúde de assistentes operacionais e técnicos, psicólogos e outros profissionais de saúde necessários, mas também dos equipamentos de diagnóstico essenciais no cuidado a prestar aos utentes», aduziu a DORP, que em relação à transferência de competências para as autarquias na área da saúde e considerando que tal «apenas envolve 8 dos 64 concelhos do Norte», confirmou que «o que o Governo está a procurar implementar não é um verdadeiro processo de descentralização (que não é possível sem a necessária regionalização)», mas, «acima de tudo, uma transferência de encargos».