Aumento do desemprego e queda do PIB não resultam apenas da crise pandémica
ECONOMIA Os efeitos do surto epidémico no crescimento do desemprego e na contracção da economia não ilibam o Governo de responsabilidades pelas opções que aprofundou, sublinha o PCP.
A insistência do Governo só pode continuar a agravar o cenário
Relativamente à destruição de postos de trabalho, com reflexo no aumento do desemprego, o Partido sublinhou, a meio da semana passada, que a onda de choque da emergência sanitária «não ilude que as recentes alterações ao Código de Trabalho, acordadas entre PS, PSD, CDS, patronato e UGT, acrescentando precariedade à precariedade já existente, facilitou os despedimentos», muitos dos quais concretizados precisamente «a pretexto da epidemia».
Em nota divulgada pelo seu gabinete de imprensa no dia em que o Instituto Nacional de Estatística (INE) calculou em cerca de 7 por cento da população activa o total de desempregados registados – número oficial que o Partido considera que, infelizmente, não traduz verdadeiramente a realidade –, os comunistas portugueses dão como «exemplo mais gritante» das facilidades concedidas pelas alterações à legislação laboral, o «alargamento do período experimental».
«A precariedade, os baixos salários, os cortes nos rendimentos, o desemprego, a pobreza – são estes os problemas centrais que é necessário enfrentar e resolver», acrescenta o PCP, para quem «a situação actual exige, no imediato, medidas de defesa do emprego e de protecção social no desemprego, nomeadamente o prolongamento e reforço do Subsídio de Desemprego e do Subsídio Social de Desemprego».
«Medidas urgentes e imediatas para responder já às graves situações que os trabalhadores enfrentam», acrescenta-se. «Medidas fundamentais», insiste o Partido, «para fazer frente a uma situação social e económica que, se não se mudar o rumo das opções políticas de fundo, tenderá a agravar-se».
Opções erradas
Já quanto à queda do Produto Interno Bruto (PIB) que o INE calculou, também a semana passada, ter tido, no segundo trimestre deste ano, o maior recuo de sempre em cadeia, 14,1 por cento, e em termos homólogos, na ordem dos 16,5 por cento, Agostinho Lopes, considerou-a «consequência económica da epidemia». Contudo, salientou o membro do Comité Central do PCP, «é também o resultado das erradas, insuficientes e limitadas medidas tomadas pelo Governo para responder à situação, em geral acompanhado pelo PSD e restante direita».
Em declaração divulgada nos meios digitais do PCP, Agostinho Lopes apontou como opções erradas do Governo a «adopção do lay-off e o insuficiente combate aos despedimentos, fruto do oportunismo de algum grande patronato, traduzido numa quebra de salários e logo do poder de compra das famílias; as limitadas e insuficientes medidas, inclusive as restrições ao acesso, para apoio de milhares de micro e pequenas empresas que se viram sem vendas e receitas, por drástica redução ou encerramento da sua actividade; as falhas e incapacidades na dinamização e aceleração do investimento público, nomeadamente do mediado pelas autarquias locais».
«A insistência do Governo nestas opções, como aconteceu com as medidas do último Conselho de Ministros, só pode continuar a agravar o cenário negro agora evidenciado pelos números do INE», advertiu ainda o dirigente comunista.