Parlamento homenageia António Gervásio
A Assembleia da República recordou o histórico dirigente comunista António Gervásio, falecido no passado dia 10 de Janeiro, com a aprovação de um voto de pesar onde expressa as suas condolências aos familiares e ao PCP.
No texto, aprovado por unanimidade no dia 6 de Fevereiro após a sua leitura por João Oliveira, é lembrado o percurso de «destacado lutador e resistente antifascista» que foi António Gervásio, desde muito cedo participante activo e dirigente de «várias lutas», tendo integrado a «direcção da histórica e vitoriosa luta que levou à conquista do horário de trabalho das oito horas pelo proletariado agrícola do Sul em 1962».
Operário agrícola, António Gervásio foi preso por três vezes, tendo passado cinco anos e meio nas prisões fascistas do Aljube, de Caxias e de Peniche, facto que é sublinhado no voto, onde se refere ainda que participou na «célebre fuga de Caxias no carro blindado de Salazar, em Dezembro de 1961, com mais sete militantes comunistas, retomando de imediato a actividade partidária na clandestinidade».
O voto lembra que em Abril de 1974 António Gervásio estava preso no Forte de Peniche, tendo sido um dos presos políticos libertados na madrugada de 27 de Abril. Destacada é ainda a sua participação directa em todo o processo da Reforma Agrária nos campos do Sul, «na liquidação do latifúndio, na constituição das Unidades Colectivas de Produção e na luta sem tréguas em sua defesa».
Pesar por Henrique Espírito Santo
A merecer a aprovação unânime do Parlamento na mesma sessão plenária esteve também o voto de pesar pela morte, a 19 de Janeiro, de Henrique Espírito Santo. Apresentado pelo PCP, partido de que foi militante desde Maio de 1957, o texto refere-se a esta «figura incontornável do cinema português» como alguém que «formou várias gerações de homens e mulheres do cinema» e que foi um «extraordinário exemplo de amor a esta arte, de dedicação, capacidade de trabalho e, simultaneamente, de uma generosidade, solidariedade e fraternidade por todos reconhecidas».
Henrique Espírito Santo, que foi director de produção de 27 filmes, tendo colaborado ou participado, de diversas formas, em mais 19,
foi distinguido pela Academia Portuguesa de Cinema, em 2014 com o Prémio Sophia, vendo ainda a sua vida cinematográfica ser objecto de um catálogo por parte da Cinemateca Portuguesa.