Recuperar elementos essenciais da soberania e abrir novos capítulos e caminhos

ESCLARECER O PCP realizou nos dias 13 e 14 uma acção de contacto com a população para divulgar a política alternativa que propõe ao povo português. Em Lisboa a jornada contou com a participação de Jerónimo de Sousa.

É preciso romper com modelo contrário ao interesse nacional e ao nosso povo

O importante trabalho desenvolvido pelos deputados do PCP no Parlamento Europeu não passou à margem desta iniciativa de esclarecimento e informação, que decorreu sob o lema «Direitos, desenvolvimento, soberania», envolvendo militantes e dirigentes comunistas um pouco por todo o País.

A coadjuvar o esclarecimento e como seu elemento de suporte foi distribuído um folheto com as grandes linhas da política patriótica e de esquerda expostas de forma sucinta e directa, linguagem clara igualmente presente na descrição que nele se faz do trabalho ímpar dos deputados comunistas no PE.

Foi esta informação útil que, faz hoje oito dias, chegou ao final da tarde às mãos dos muitos transeuntes que se cruzavam em pleno coração da capital, entre os Restauradores e o Rossio. E foi também ali, na Praça D. João da Câmara, que muitos outros ouviram as intervenções de Jerónimo de Sousa e João Ferreira proferidas do palanque montado quase paredes meias com o D. Maria II, num comício relâmpago dirigido por Inês Zuber.

Nota comum aos dois discursos foi a tónica naquele que é um dos eixos centrais da política patriótica e de esquerda preconizada pelo PCP – a defesa e afirmação da soberania e do interesse nacional – e que é por si encarada como uma questão-chave para o «futuro de progresso social e desenvolvimento soberano do País».

Porque, contrariamente ao que diz o Governo do PS, a «resposta plena aos problemas nacionais não é compatível com as imposições da UE, pela razão simples de que essas imposições são uma das suas principais causas». Afirmou-o Jerónimo de Sousa, ciente de que esse constrangimento não será ultrapassado enquanto se mantiver uma política comprometida com o grande capital e prosseguir um «rumo de submissão às regras do euro e da União Europeia».

Os problemas não se resolverão persistindo num caminho que, «como a realidade europeia está a demonstrar, não só não dá resposta aos problemas e anseios dos povos da Europa como os está a aprofundar perigosamente e a alimentar a extrema-direita, o nacionalismo, os valores reaccionários e retrógrados», advertiu o Secretário-geral do PCP.

Sugar recursos

O que resultou desse caminho foi a continuação de um «País desigual, empobrecido e dependente», realidade indissociável de «décadas de política de direita e de submissão ao euro e às imposições da UE», constatou o líder comunista, que retirou ainda uma outra leitura desse período: «Se Portugal é hoje um dos países mais endividados do Mundo isso deve-se às políticas que, com o engodo dos fundos europeus, montaram uma teia de dependência e endividamento que apenas serviu e serve os grandes grupos económicos e o capital financeiro que sugou parte considerável dos nossos recursos».

É assim claro que «não é com o aprofundamento da UE, que o PS defende, que iremos inverter esse caminho», concluiu Jerónimo de Sousa, para quem é chegado o tempo de «questionar a essência das políticas que têm desgovernado o nosso País e de recuperar elementos essenciais da nossa soberania».

Essa é a convicção do dirigente comunista - «isso é possível!», afiançou -, lembrando que «Portugal tem forças, recursos e capacidades suficientes para abrir novos capítulos e caminhos de desenvolvimento soberano e progresso social».

Foi também essa mensagem de quem está absolutamente seguro de que é possível construir um futuro melhor, de quem acredita nas potencialidade nacionais e na capacidade do nosso povo que perpassou nas palavras de Jerónimo de Sousa. Palavras combativas e de forte incentivo ao prosseguimento da luta pela política alternativa: «Num momento em que na Europa e no Mundo assistimos a grandes perigos e retrocessos, mas também a grandes jornadas de luta, aqui estamos a afirmar, mais uma vez, que não existem inevitabilidades».

Atento à situação que se vive na Europa, nomeadamente ao crescimento da extrema-direita, Jerónimo de Sousa afirmou ainda que o PCP «recusa os falsos dilemas entre os nacionalismos reaccionários e uma União Europeia cada vez mais neoliberal, militarista e castradora dos direitos de soberania dos povos».

E já perto do final, sob o aplauso dos presentes, reiterou a sua confiança na luta do nosso povo, sublinhando que a «política patriótica e de esquerda é o melhor contributo de Portugal e dos portugueses para uma outra Europa».




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