no topo das exigências
Greve forte na Saúde
A nível nacional, a média de adesão à greve nacional dos trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde, na sexta-feira, dia 20, foi de 80 por cento, com especial impacto nos hospitais.
O que o ministro prometeu para Novembro ainda está por cumprir
Os trabalhadores auxiliares, administrativos e técnicos reafirmaram «a sua indesmentível vontade de verem satisfeitas pelo Governo as justas reivindicações apresentadas e que até hoje não obtiveram resposta», afirmou a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, que promoveu esta jornada de luta e expressou naquela percentagem a elevada adesão, visível ao longo do dia em vários serviços.
No último comunicado, emitido a meio da tarde de sexta-feira, a federação da CGTP-IN referia que, «de Norte a Sul do País, dezenas e dezenas de serviços da Saúde, com particular destaque para os hospitais, estão a funcionar exclusivamente com serviços mínimos, assegurados por trabalhadores em greve». Saudando «os milhares de trabalhadores que hoje estão a aderir a esta greve nacional», destacava, entre os objectivos desta, a dignificação das carreiras profissionais, o reforço de efectivos, a aplicação das 35 horas semanais a todos os trabalhadores e a defesa do Serviço Nacional de Saúde.
A exemplificar o elevado nível de adesão, a federação publicou dados relativos a 45 hospitais, onde apenas foram cumpridos serviços mínimos.
Com adesão de 100 por cento, surgem, em Lisboa, os hospitais de Santa Maria, São José, Curry Cabral, Pulido Valente, D. Estefânia e São Francisco Xavier e a Maternidade Alfredo da Costa; no Porto, os hospitais de Santo António e São João; nos demais distritos, Garcia de Orta (Almada), São Bernardo (Setúbal), Beatriz Ângelo (Loures), Évora, Seia, Divino Espírito Santo (Ponta Delgada), Horta, Lamego, Pombal e Santo André (ambos de Leiria), CHUC e IPO de Coimbra, Infante D. Pedro e São Sebastião (ambos de Aveiro), Caldas da Rainha, Figueira da Foz, Centro Hospitalar Tondela-Viseu e Hospital de São Teotónio, Visconde de Salreu (Estarreja), e ainda Barcelos, Guimarães, Matosinhos, Chaves e Vila Nova de Gaia.
Nos hospitais dos Capuchos (Lisboa), Amadora-Sintra, Covilhã, Barreiro, Litoral Alentejano (Santiago do Cacém), Beja, Faro, Portimão, Lagos e Tomar, a federação registou níveis de adesão entre 80 e 95 por cento.
As informações foram confirmadas e detalhadas em comunicados posteriores, designadamente, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Centro (notando que os serviços indicados «representam a grande maioria» do pessoal abrangido pela luta e que em «muitos outros serviços» houve «boa participação»), das uniões de sindicatos dos distritos de Lisboa, Setúbal (indicando percentagens elevadas nos hospitais e também em centros de Saúde de Setúbal, Almada, Seixal e Barreiro) e Norte Alentejano (destacando o efeito da greve nos hospitais de Elvas e Portalegre).
Por cumprir
A criação da carreira de técnico auxiliar de saúde foi destacada como um dos principais motivos da greve nas declarações de Luís Pesca aos jornalistas, na primeira hora de sexta-feira. Acompanhado por outros dirigentes, como a coordenadora da federação, Ana Avoila, o responsável sindical por esta área criticou veementemente o ministro da Saúde, por ter assumido o compromisso de responder até ao fim de Novembro sobre a negociação desta medida de valorização profissional, mas não ter dado qualquer sinal.
A federação realizou um protesto, pouco antes do Natal, frente ao Ministério, alertando para esta e outras exigências, que se tornaram motivos da greve nacional, tais como a revisão das carreiras de Técnico de Diagnóstico e Terapêutica e de Técnico Superior de Saúde; o fim dos cortes no pagamento das «horas de qualidade» e do trabalho suplementar; o vínculo público de nomeação para todos no SNS; a valorização salarial da carreira especial de Técnico de Emergência Pré-Hospitalar; o pagamento do abono para falhas a quem manuseia valores.
Poucos dias antes da paralisação, a FNSTFPS insistiu na falta de pessoal nos serviços de Saúde, estimando que sejam necessários mais seis mil trabalhadores (não contando médicos e enfermeiros).
Solidariedade do PCP
Para além dos muitos militantes comunistas que, como dirigentes e activistas sindicais ou membros de piquetes de greve, tiveram participação activa na greve, delegações do PCP estiveram em vários hospitais, expressando solidariedade aos trabalhadores em luta e aos objectivos que a motivaram.
Em Lisboa, os camaradas Armindo Miranda, da Comissão Política, e Leonor Barão, do Comité Central, estiveram no Hospital São José, na madrugada de sexta-feira, com Rita Rato, deputada, e no Hospital de Santa Maria, a meio da manhã, com o deputado Miguel Tiago.