Construção da barragem do Tua
O PCP defende há muito, num quadro de gestão pública da produção e fornecimento de energia eléctrica, o aproveitamento do potencial hidroeléctrico do País.
No caso concreto da construção da barragem do Tua, porém, várias são as questões que se levantam. Será que é imprescindível para o País? E avaliando os seus impactos, nomeadamente no tecido económico transmontano, no ambiente e na mobilidade das populações, será que o balanço é de molde a justificar a construção da barragem?
Foram estas no essencial as questões que estiveram recentemente em foco no quadro de um debate suscitado por uma petição e por iniciativas legislativas do PEV e do BE, ambas chumbadas pelos votos contra do PS, do PSD e do CDS-PP.
Um «inequívoco não», pela sua parte, foi a resposta que a bancada comunista deixou vincada no debate.
«Não só não é imprescindível para o País como a construção da barragem vai ter impactos significativos para a região», sublinhou o deputado comunista Jorge Machado, alertando em particular para a sua incidência sobre os produtores de vinho, com a destruição de solos que pode pôr em causa a classificação do Alto Douro vinhateiro como património da humanidade. Além da ameaça que representa para o «potencial turístico que o Tua tem e que não pode ser desprezado nas suas componentes económica e social». Acresce a destruição da centenária Linha do Tua, comprometendo a mobilidade das populações.
Para Jorge Machado, a construção da barragem não serve assim nem os interesses da região nem os do País. Mas, ao invés, serve os interesses da EDP, como «negócio multimilionário» que é, «financiado pelo Estado», emergindo como «uma nova PPP, com o apoio do PS, do PSD e do CDS-PP».
E por isso, no interesse da região e do País, sustentou, o que se impõe é a «imediata suspensão das obras no Vale do Tua para salvaguardar os interesses superiores» da região e do País.