Nem despedimentos nem cortes salariais
O PCP está solidário com os enfermeiros da Linha Saúde 24, salientando que a sua luta é pelo trabalho com direitos, por um serviço público de saúde de qualidade.
Governo alheia-se das suas responsabilidades
Esta posição foi expressa no passado dia 24 de Janeiro pela deputada comunista Paula Santos no debate de um projecto de resolução do PCP onde se recomendava ao Governo que assumisse directamente a gestão da Linha Saúde 24, salvaguardando directamente os direitos dos enfermeiros. O diploma comunista viria a ser chumbado pela maioria governamental, que deu igual destino a um outro do BE com idênticos objectivos.
A deputada do PSD Graça Mota justificou a discordância da sua bancada com o diploma comunista – classificou de «absurda» a proposta de integrar os enfermeiros na carreira com vínculo público – alegando que tais profissionais «já estão noutras funções em hospitais e centros de saúde».
E numa posição de inadmissível desresponsabilização, como se não estivesse em causa a qualidade da prestação de um serviço público estratégico no SNS como é a Linha Saúde 24, confinou o conflito a uma «questão eminentemente do foro laboral», lavando assim as mãos e endossando a resolução do problema para a empresa e os enfermeiros que nela trabalham. Com isso mostrou que para o PSD (e para o CDS) nem é relevante o serviço que é prestado pela Linha Saúde 24 e sua qualidade nem o é o cumprimento dos direitos dos trabalhadores, observou Paula Santos.
Levantado pela parlamentar do PCP, que citou um comunicado dos trabalhadores, foi entretanto o facto de na semana anterior ao debate terem sido perdidas cerca de mil chamadas por dia e de os tempos de espera para o atendimento se situar na ordem dos dez minutos. «Isto não é afectar a qualidade? Não é afectar o atendimento?», perguntou Paula Santos, que advertiu que o despedimento dos trabalhadores mais experientes coloca também em causa a qualidade deste serviço.
A deputada comunista saudou ainda a coragem e tenacidade demonstrada pelos enfermeiros, que, mesmo perante a chantagem exercida pela empresa, não baixaram os braços e continuaram a lutar por aquilo que consideram justo.
E lembrou que já foram despedidos trabalhadores que se destacaram na luta, mantendo-se essa chantagem sobre os restantes que não aceitam a imposição da empresa de redução salarial.
Recorde-se que a comissão informal de trabalhadores da Linha Saúde 24, já depois do despedimento de mais de uma centena de pessoas, acusou a empresa de contratar e despedir «sem lei» e de destruir este serviço ignorando a importância que o mesmo tem para a população.