Operação criminosa
«Um verdadeiro crime económico contra o País», assim classificou o deputado comunista Paulo Sá a privatização da Caixa Seguros, a componente seguradora da Caixa Geral de Depósitos. Reiterando a posição expressa pelo PCP em relação a esta privatização prevista no memorando assinado por PS, PSD e CDS-PP, o parlamentar comunista advertiu que a mesma «promoverá o reforço da monopolização do sector segurador em Portugal». Isto porque o grupo é hoje responsável por 30% da actividade seguradora do País. Pelo que, privatizado-o, significa colocar grande parte dessas operações nas mãos do capital estrangeiro.
E desta forma, no entender do PCP, o Estado abdica de intervir num sector que é da maior importância para o País e para o seu desenvolvimento. Além de permitir o «aprofundamento de situações de abuso que resultam de posições dominantes, da depredação económica que este sector vem efectuando sobre os seus clientes, em particular sobre as micro, pequenas e médias empresas», verberou Paulo Sá.
Intervindo recentemente em debate sobre esta matéria suscitado por uma declaração política da deputado do BE Mariana Mortágua, que considerou estar o Governo com política de privatizações a «entregar o ouro ao bandido», Paulo Sá alertou ainda para o facto de esta alienação ter como consequência o «enfraquecimento do grupo financeiro da CGD, o único grupo financeiro público do País.
Não deixou por fim de considerar revelador que ao mesmo tempo que apoia os bancos privados, a sua recapitalização, dando garantias e avales, o Executivo promove o enfraquecimento daquele que é o único grupo financeiro público.
Recordado foi ainda a perda de receita que implica esta privatização, já que os lucros dos seguros da Caixa, só em 2012, elevaram-se a 96 milhões de euros de lucros, isto é, em apenas um ano quase dez por cento dos 1000 milhões que o Governo agora encaixa, mas que perderá no futuro.