Debate do OE para 2014

O embuste

Coube ainda à bancada do PCP desmascarar o embuste da «distribuição equitativa dos sacrifícios» no esforço de consolidação orçamental. «Não é simplesmente verdade», asseverou Paulo Sá, adiantando que «nem sequer há distribuição de sacrifícios, já que as medidas de austeridade são sempre dirigidas contra os mesmos, os trabalhadores e o povo».

A demonstrá-lo, um exemplo: a diferença entre os impostos sobre o trabalho e os impostos sobre os lucros.

No ano de 2000 o IRC pago pelas empresas correspondia a 69% do IRS pago pelos trabalhadores. Em 2013 o IRC representava apenas 37% do IRS e em 2014, com este OE, esta percentagem será ainda menor (12 400 milhões de IRS e apenas 4500 milhões de IRC).

António Filipe pegou também no tema para referir que os encargos com as PPP aumentam 89% – mais 1600 milhões de euros – e para esses negócios ruinosos para o Estado «é que não pode faltar o dinheiro», realçou –, como não falta para pagar os juros da dívida (mais de 8000 milhões de euros), nem para o apoio à recapitalização da banca (mais 6000 milhões de euros).

Outro elemento irrefutável referenciado pela bancada comunista no debate é o de que dos 3900 milhões de euros de medidas de consolidação orçamental apenas quatro por cento (150 milhões) é que incidem sobre a banca e o sector energético), enquanto 82% dessas medidas (3200 milhões de euros) são pagos com cortes, cortes nos salários, nas pensões e despedimentos na função pública.

 



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