O soldado milagreiro
A afirmação recente do ministro da Economia de que era «um soldado disciplinado» do Governo não passou sem uma nota crítica de Bruno Dias que, comparando-a com o que Pires de Lima afirmava há meses sobre o IVA da restauração, constatou com ironia: «quem o viu e quem o vê».
Salientou mesmo que é caso para dizer o quanto diferente aquele ficou «desde que foi à recruta», tornando-se num «soldado milagreiro dessa espécie de cruzada» em favor das grandes empresas. Com efeito, a sua voz deixou de se ouvir em matéria de IVA da restauração, o mesmo acontecendo em relação ao aumento do «pagamento especial por conta» de 1000 para 1750 euros, no quadro da reforma do IRC, um aumento de 75% que penaliza e aumenta a asfixia financeira sobre as micro, pequenas e médias empresas.
Bruno Dias assinalou ainda que o problema maior das empresas é o «terem a corda na garganta devido à quebra do consumo privado, não é pagar impostos sobre os lucros que não têm».
Ora com os cortes (entre 2,5% e12%) nos salários de 685 mil trabalhadores do Estado e os cortes (cerca de 10%) nas reformas de cerca de 302 mil aposentados o que vai acontecer é um agravar da retracção no mercado interno.
O deputado do PCP, para quem o discurso do ministro da Economia nada tem a ver com a realidade do País, acusou por fim o Governo de substituir a política de importações «não pela produção nacional mas pela fome».