Turcos não vergam
A greve geral convocada para segunda-feira por duas grandes centrais sindicais foi a resposta popular à repressão com que o governo da Turquia procura travar os protestos.
Confrontos entre populares e polícia ocorreram em dez cidades no fim-de-semana
LUSA
A segunda paralisação desde o início da vaga de contestatária realizou-se de forma pacífica, excepção feita ao ocorrido em Ancara, onde a polícia voltou a usar gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar as multidões que desafiaram o governo, o qual considerou a iniciativa ilegal e ameaçou usar o exército para impedir a luta.
A União dos Empregados Públicos (KESK) e a Confederação dos Trabalhadores Revolucionários (DISK) marcaram a jornada para protestar contra a brutalidade com que o executivo liderado por Recep Erdogan tem enfrentado as manifestações contínuas no país. O último fim-de-semana voltou a ficar marcado pela repressão e pelos confrontos entre populares e autoridades em pelo menos dez cidades, segundo a EFE. Pelo menos 600 pessoas foram detidas.
Em Istambul, a violência foi desencadeada pelas forças uniformizadas ao final da tarde de sábado, que cumpriram a ameaça de Erdogan e varreram a Praça Taksim e o acampamento instalado no Parque Gezi. À expulsão sucederam-se batalhas campais, perseguições e prisões até altas horas da madrugada. O mesmo acontecia, simultaneamente, na capital.
Já no domingo, o fim de um comício promovido em Istambul pelo partido do primeiro-ministro terminou com brigadas de militantes do AKP a atacarem os manifestantes que se mantinham nas ruas, informou o diário Hurriyet. Em Ancara, a polícia impediu que milhares de pessoas, entre os quais os familiares da vítima, depositassem uma coroa de flores na praça Kizilay, onde um jovem de 27 anos foi baleado mortalmente.
Segundo a EFE, a repressão na Turquia já provocou a morte de quatro pessoas e fez mais de cinco mil feridos. A Associação de Médicos Turcos considera selvagem o uso de gás lacrimogéneo e a União dos clínicos denuncia que o governo pretende obter os nomes dos médicos, enfermeiros e manifestantes atendidos nos hospitais improvisados.
A sanha persecutória estende-se aos meios de comunicação social. Quatro canais de televisão foram recentemente multados por reportarem os protestos no país.