Reformados exigem medidas de combate
Na sexta-feira, frente ao Ministério da Solidariedade Social, em Lisboa, uma centena de reformados concentrou-se para exigir medidas de combate ao «terror social» que afecta os idosos.
«A luta continua, Governo para a rua», «As reformas a baixar e os lucros a aumentar» foram algumas das palavras de ordem mais ouvidas no protesto, convocado pela Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI), para assinalar o dia em que os reformados foram confrontados com os cortes nas pensões.
Joaquim Santos, presidente da Federação das Associações e Organizações de Reformados, Pensionistas e Idosos de Lisboa, na sua intervenção, desmentiu o ministro Mota Soares, que no primeiro dia do ano falou do aumento da pensão mínima. «Esta propaganda em torno das pensões mínimas é escandalosa e atenta contra a dignidade dos reformados e pensionistas, que são obrigados a sobreviver com pensões baixíssimas», denunciou, criticando o desprezo do actual Governo PSD/CDS «perante as consequências devastadoras das políticas de geram uma dramática espiral de pobreza e de empobrecimento dos reformados e pensionistas».
Casimiro Menezes, presidente da Direcção do MURPI, deu conta de que, para além da acção de Lisboa, estavam a ter lugar outras em vários pontos do País, nomeadamente em Setúbal, em Évora e em Beja. «Hoje os reformados sentem que a retirada de rendimentos é mais uma afronta contra as difíceis condições de vida que se agravam de dia para dia», afirmou, acentuando que, infelizmente, «os reformados estão condenados, por este Governo, ao isolamento e ao abandono».
Graves dificuldades de sobrevivência
No final, uma delegação do MURPI entregou no Ministério uma Carta Aberta dirigida ao ministro Pedro Mota Soares, onde os reformados, pensionistas e idosos, que representam um terço da população portuguesa, recordam ao governante que têm «graves dificuldades de sobrevivência, agravadas pelo contínuo aumento dos bens essenciais, privados na sua mobilidade pelo elevado custo dos transportes públicos, fortemente condicionados no acesso aos cuidados de saúde, que estão mais caros e distantes, e ameaçados pelo despejo das suas habitações, decorrente da aplicação da Lei do Arrendamento Urbano».
«Apesar dos ataques do seu Governo, os reformados constituem, neste momento de crise social, com o aumento do desemprego e do alastramento da miséria e da fome, a base de amparo de muitos filhos e netos e uma valiosa força de coesão social, numa sociedade corroída pelo desespero e ameaçada de um futuro ainda pior», lê-se na Carta, onde se exige a «reposição dos rendimentos retirados pelas medidas orçamentais», a «actualização dos valores das pensões», a «abolição das taxas moderadoras», a «reposição de 50 por cento de desconto nos passes sociais aos reformados» e a «revogação urgente da lei do arrendamento urbano e da legislação complementar».