Troika e Governo agravam exploração e empobrecimento

Saque ao povo e ao País

Que o País está a empobrecer, ninguém o nega. Mas será que todas as famílias estão a empobrecer da mesma forma? E por que é que as famílias portuguesas estão a empobrecer? A estas questões deu o PCP resposta, preenchendo o vazio deixado pelo PS no debate de actualidade que este próprio agendara sobre esta matéria tendo como tema a «asfixia das famílias».

Coube a João Oliveira ir ao essencial do problema para lembrar que nem todas as famílias estão a empobrecer, bem pelo contrário, dando como exemplo as famílias que vivem dos rendimentos do capital, os accionistas dos grandes grupos financeiros, os que vivem da especulação, do lucro e da exploração do trabalho alheio. Essas não só não empobrecem como encontram no Portugal de hoje condições excepcionais de acumulação de riqueza, à custa do saque de recursos públicos, que são de todos e do País, lembrou.

«As famílias que hoje em Portugal empobrecem são as dos trabalhadores, dos pequenos e médios empresários, as famílias que se vêem roubadas nos seus direitos e nas suas condições de vida», enfatizou João Oliveira.

Quanto à questão de saber por que razão é que empobrecem estas famílias – questão relativamente à qual o PS foge como o diabo da cruz –, o deputado do PCP não hesitou em endossar a responsabilidade pela situação para o pacto de agressão contra o povo e o País assinado com a troika pelo PS, PSD e CDS-PP.

Pacto este que, frisou, está a conduzir ao roubo dos trabalhadores – nos seus salários e nas suas condições de vida –, ao roubo dos desempregados (cada vez mais desprotegidos), ao «roubo dos micro, pequenos e médios empresários que se vêem obrigados a abrir falência e a fechar portas».

Um pacto, acrescentou ainda, que é «contra os reformados e pensionistas a quem antes o CDS tudo reconhecia e dizia defender» e para quem a primeira medida foi mandar a milhares deles, muitos com menos de 300 euros por mês, devolver dinheiro à Segurança Social. «Esta é a marca da política social injusta deste Governo», acusou o deputado do PCP.

Por si salientado foi ainda o facto de este empobrecimento das famílias estar a ser utilizado para transferir para os grupos económicos e financeiros milhares de milhões de euros, sendo esta a verdadeira razão, no fim de contas, que justifica o assalto generalizado deste Governo, por via do pacto de agressão, aos portugueses e aos recursos do País.

«Estão a ser assaltados os portugueses que trabalham e os portugueses de menores rendimentos para transferir fabulosos recursos para o sector financeiro, milionárias quantias destinadas a tapar buracos da banca, do sector financeiro, que durante anos e anos especularam, distribuíram lucros», criticou João Oliveira, que não escondeu a sua indignação por o mesmo se passar em relação às parcerias público-privadas, onde o Governo não mexeu uma palha, apesar do compromisso de que as iria rever, mantendo assim inalteráveis estes milionários negócios à custa dos recursos dos portugueses.



Mais artigos de: Assembleia da República

Brincar com a vida das pessoas

PSD e CDS-PP chumbaram o diploma do PCP que propunha a revogação do decreto governamental que suspende as reformas antecipadas. Inalterada, por ora, fica esta medida injusta e gravosa de um Governo obcecado em atacar o mundo do trabalho com a mesma intensidade com que protege os grupos económicos.

Um sector vital para o País

Alvo de um «ataque de anos», ao sector das pescas continuam a «faltar soluções» para velhos e novos problemas, como sejam os preços dos combustíveis e do pescado ou a operacionalidade nos portos de pesca e barras.

Património de saber e experiência

O Governo insiste em levar por diante o processo de encerramento da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), medida que o PCP classifica de «criminosa» e, por isso, continua a merecer o seu mais firme repúdio e condenação.

Provocação e manipulação

O PCP requereu a presença do ministro da Economia no Parlamento para prestar esclarecimentos sobre o papel do Governo no quadro da acção levada a cabo pelo Pingo Doce no 1.º de Maio. Trata-se de saber qual a sua posição não só perante o ocorrido naquele dia, que...

Combate exige Estado interventor

Só no período compreendido entre 1985 e 2000, cerca de 70 000 hectares de solo rústico foram alvo de transformação no regime de uso e passaram a área urbanizada. As mais-valias obtidas nessas operações urbanísticas, no mesmo período, ascendem a 110 mil...

Urge produzir beterraba sacarina

PS, PSD e CSDS-PP inviabilizaram recentemente um projecto de resolução do PCP recomendando ao Governo a retoma urgente da produção de beterraba sacarina. Este foi um voto consentâneo com a postura de quem tem graves responsabilidades por um passado de erros que prejudicaram gravemente os...

Biomassa e incêndios florestais

PSD e CDS-PP rejeitaram o projecto de resolução do PCP que pugnava pelo reforço dos meios de prevenção estrutural dos incêndios florestais. Que o diploma é «demagógico», com «medidas ocasionais e temporais», disseram os partidos da maioria,...

Pelo reforço de vagas no público

O PCP discorda da possibilidade de alargar o internato médico a entidades privadas de âmbito social ou lucrativo, tal como defende o CDS-PP em projecto de resolução que esteve em debate no Parlamento e que veio a ser aprovado por este partido e pelo PSD, com os votos contra de todas as bancadas...