Em nome da soberania alimentar

Urge produzir beterraba sacarina

PS, PSD e CSDS-PP inviabilizaram recentemente um projecto de resolução do PCP recomendando ao Governo a retoma urgente da produção de beterraba sacarina. Este foi um voto consentâneo com a postura de quem tem graves responsabilidades por um passado de erros que prejudicaram gravemente os agricultores e a agricultura nacional.

No seu diploma, a bancada comunista defendia uma avaliação das áreas disponíveis e com potencialidade para a cultura da beterraba sacarina, bem como a exigência no âmbito da reforma da PAC de uma quota que seja adequada às necessidades nacionais.

Dotar a fábrica de Coruche do equipamento indispensável ao processamento de beterraba sacarina, constitui outra direcção de trabalho que o Governo não deve menosprezar, na perspectiva da bancada comunista.

Na apresentação do diploma, em debate na passada semana conjuntamente com um outro texto do PSD (que foi aprovado), o deputado comunista Agostinho Lopes sublinhou que a história da beterraba sacarina no nosso País, além de ser um bom exemplo dos efeitos nefastos da política de direita, ilustra de forma exemplar as razões que estão na base dos actuais níveis de endividamento do País.

É que a existência desta cultura foi sempre pautada por uma política «sem soluções de continuidade», remontando à ditadura fascista (não podia existir porque colidia com os interesses dos grupos monopolistas que exploravam plantações de cana-de-açúcar em Angola e Moçambique), e que se prolongou depois do 25 de Abril. Com efeito, à excepção dos três anos subsequentes à Revolução de 1974, em que se criou as condições para uma nova política açucareira, rapidamente em 1977 voltaram os constrangimentos, com a suspensão pelo governo PS/Mário Soares do projecto de introdução da cultura da beterraba e, posteriormente, com a má negociação da adesão à CEE (que levou à fixação de uma quota claramente insuficiente). Pelo meio houve ainda um investimento vultuoso de 80 milhões de euros numa nova unidade industrial, com forte apoio do Estado. Mas o pesadelo viria depois, em 2006, com outro governo PS (de Sócrates, com Jaime Silva a ocupar a pasta da Agricultura), com este a ceder à Comissão Europeia e a permitir uma redução da quota.

«Mil agricultores no Vale do Sorraia (e até no Vale do Mondego) que tinham alcançado elevadas produtividades, bem acima do nível médio da Europa, abandonaram a produção. Portugal voltou a importar ramas. Aumento do défice agro-alimentar. Perdas de subprodutos para a alimentação animal. Só prejuízo», sumariou no debate Agostinho Lopes, mostrando a responsabilidade directa do PS pelo acabar desta cultura no nosso País, situação que contou sempre com a anuência do PSD e do CDS-PP.

E é esse quadro que é preciso inverter, retomando a cultura da beterraba sacarina. Exigem-no, como salientou Agostinho Lopes, a «soberania alimentar e os interesses da agricultura portuguesa», para já não falar da necessidade de reduzir o nosso endividamento externo, onde tem peso considerável o défice agro-alimentar.



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