A fundação do PCP
O PCP travou um combate sem tréguas com o fascismo desde o início da década de 30. A insurreição da Marinha Grande de 18 de Janeiro de 1934 e a revolta dos marinheiros de 1936 tiveram a participação ou organização dos comunistas. As lutas operárias travadas desde então, quer nos anos 30 quer nos primeiros anos da década de 40, foram convocadas pelo Partido
Com a eleição da sua primeira direcção, numa assembleia realizada na sede da Associação dos Empregados de Escritórios, em Lisboa, nasceu o PCP: estava-se a 6 de Março de 1921.
Fruto dos ecos que a Revolução Socialista de Outubro teve entre os sectores mais esclarecidos da classe operária portuguesa, a fundação do PCP não resultou, como na generalidade dos países europeus, de uma cisão do Partido Socialista, mas fundamentalmente de militantes vindos das fileiras do sindicalismo revolucionário. Apesar das debilidades ideológicas, eram o que havia de mais vivo e combativo no movimento operário português.
Os primeiros meses de vida do Partido foram intensos e rapidamente se atingiu o milhar de militantes. Ainda em 1921 foi criada a Juventude Comunista e saiu o primeiro número do jornal O Comunista (O Jovem Comunista sairia em Maio do ano seguinte). O primeiro Congresso do Partido realizou-se em Março de 1923.
Mas estes primeiros tempos foram igualmente muito difíceis, em parte pela fraca preparação teórica dos seus dirigentes e pelas raízes anarquizantes e oportunistas de muitos dos seus membros. O golpe de 28 de Maio de 1926, que abriu caminho à edificação de uma ditadura fascista em Portugal, apanhou o PCP na véspera da abertura do seu II Congresso. Aí aprovou-se uma moção onde se considerava que «o movimento insurreccional que acaba de produzir-se em Portugal representa de facto o triunfo da reacção fascista» e que «para a sua eclosão e para a sua vitória contribuíram todos os partidos burgueses».
Sem quadros com experiência política e ideológica para enfrentar os desafios que a nova situação impunha, o Partido atravessou então um período de desorientação e desorganização. Mas a realidade viria a mostrar que o PCP – e só ele – resistiria e daria combate sem tréguas ao fascismo.
Pelo seu projecto de construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados, o PCP nasceu diferente de todos os outros partidos – e diferente permanece nove décadas depois.