Até sempre, camarada!
Não foi um funeral como os outros aquele que trouxe às ruas de Lisboa, no dia 15 de Junho de 2005, uma multidão oriunda de todo o País. Dirigentes e militantes comunistas, simpatizantes do Partido, democratas, trabalhadores e jovens fizeram da cerimónia fúnebre de Álvaro Cunhal a maior homenagem alguma vez prestada em Portugal.
Mais do que chorar uma morte – e houve lágrimas, tantas – a homenagem a Álvaro Cunhal foi sobretudo um hino a uma vida de revolucionário, feita de verticalidade, coragem e dignidade. Uma vida de luta que teve como referência constante e principal a defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo – precisamente esses que encheram as ruas de Lisboa e a tingiram de vermelho.
Tratou-se de uma sentida e expressiva prova de admiração prestada a um homem, a um camarada, que deixa uma marca decisiva no processo de construção, defesa e reforço do Partido – do qual foi o principal obreiro – e na luta por um Portugal livre e democrático, a caminho do socialismo e do comunismo.
Lamentando profundamente esta perda irreparável, os muitos milhares de pessoas que ali estiveram choraram – mas sobretudo ergueram o punho com determinação para continuar o combate a que Álvaro Cunhal dedicou toda a sua vida.
Um Partido vivo e activo
Nestes primeiros anos do século XXI, o PCP continua a ser um partido vivo e activo, uma força decisiva na oposição ao agravamento da exploração e das desigualdades, à destruição dos serviços públicos e do próprio Estado democrático. Contando com uma forte organização e com militantes dedicados, o Partido Comunista Português dinamiza a luta e a resistência nas empresas e locais de trabalho e nas cidades, vilas e aldeias do País.
Nos anos que se seguiram ao seu XVII Congresso, realizado em 2004, e fruto das decisões aí assumidas, o PCP reforçou a sua organização e alargou a sua influência, com milhares de novos militantes, mais células nas empresas, mais jovens com tarefas de direcção.
Foi este Partido maior, mais forte e mais ligado aos trabalhadores e ao povo que promoveu e realizou, a 1 de Março de 2008, a grandiosa Marcha Liberdade e Democracia que trouxe a Lisboa mais de 50 mil pessoas determinadas em defender as conquistas de Abril. À passagem pelo Tribunal Constitucional, milhares de cartões do PCP ergueram-se orgulhosos numa demonstração de repúdio pela Lei dos Partidos e de determinação em decidirem por eles mesmos dos destinos do seu Partido.
Na luta que se trava contra a política de direita, em pequenas e grandes acções, estão sempre na primeira linha os militantes comunistas mobilizando e organizando. Na grande Greve Geral de 24 de Novembro de 2010, o Partido teve uma importância fundamental, não se limitando a prestar solidariedade mas estando lá, na preparação, na mobilização, nos plenários e nos piquetes. Na Greve Geral participaram mais de três milhões de trabalhadores, com uma grande adesão das novas gerações e dos trabalhadores com vínculo precário. Como afirmou o Secretário-geral do PCP ao início da noite desse dia histórico: «nada ficará como dantes!»