Organizar a resistência
Também no sábado, mas em Lisboa, realizou-se a 9.ª Assembleia da Organização do Sector das Comunicações, Água e Energia da ORL (SCAE). Esta reunião seguiu-se às assembleias das células da EPAL, Correios, EDP e Telecomunicações, cujas conclusões contribuíram para esta assembleia.
Para os comunistas do SCAE, o que se passa nas empresas deste sector provam que a situação do País está ligada, em grande parte, à inexistência de um vigoroso sector empresarial do Estado. A EDP, por exemplo, acumulou nos últimos cinco anos 5 mil milhões de euros de lucros, sendo estes canalizados para os accionistas e não para a melhoria da prestação do serviço. Como consequência desta política, encerram postos de atendimento, são destruídos postos de trabalho, os salários não aumentam e os direitos são reduzidos. A par disto, aumenta o preço no consumidor e, claro, as remunerações dos membros da administração. Está em curso um abaixo-assinado exigindo o aumento dos salários.
Na Galp Energia a situação não é muito diferente, sendo a sua gestão conduzida ao sabor dos interesses do grande capital. Também aqui os direitos e os salários são atacados, tendo os trabalhadores respondido com a luta. Os lucros são elevados e não só isto não se reflecte na diminuição do preço ao consumidor como este tem vindo a aumentar. Está já marcada uma greve de quatro dias, entre 18 e 21 de Maio.
Nas telecomunicações, o panorama laboral agravou-se seriamente nos últimos anos, com uma poderosa ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, que têm visto cair o seu poder de compra. Nos Correios está em curso uma feroz ofensiva contra o carácter público do serviço postal, com o anúncio da privatização dos CTT, prevista no PEC. Já hoje o serviço postal se encontra degradado, quer no plano laboral quer no serviço prestado às populações.
Na EPAL, tem sido contínua a redução dos direitos conquistados e o desrespeito pelo Acordo de Empresa. Postos de trabalho têm sido extintos e muitos serviços entregues a empresas externas. Os trabalhadores, que têm resistido a todas as ofensivas, têm uma greve marcada para o dia 19.
Ao nível da organização, decidiu-se dar uma especial atenção às medidas aprovadas em cada uma das assembleias realizadas, das células que compõem o sector. A prioridade vai para a dinamização das organizações de base das empresas e locais de trabalho; o recrutamento, em especial o dirigido aos jovens e aos trabalhadores que se destacam na luta; e a procura da integração de todos no trabalho do Partido. Foi eleito o organismo de direcção, composto por 34 elementos.