Alegria e confiança nos 89 anos do Partido

«Com o PCP - Lutar e vencer!»

No dia em que o PCP, Partido da classe operária e de todos os trabalhadores, completou 89 anos de existência, mais de duas mil pessoas participaram, sábado, na Aula Magna, num grande comício que contou com a presença e a intervenção de Jerónimo de Sousa (texto que publicamos na íntegra nas páginas 6 e 7). Ali, perante uma multidão de gente, que inundou aquele espaço de confiança e determinação, o Secretário-geral do PCP valorizou a «história ímpar» do Partido na luta pela liberdade, pela democracia e pelo socialismo.

O fim da ex­plo­ração do homem pelo homem é um sonho mi­lenar da hu­ma­ni­dade

Foram muitos aqueles que se quiseram associar à comemoração dos 89 anos do PCP, Partido da resistência antifascista, da Revolução de Abril, da construção do regime democrático, que resiste e luta, todos os dias, por uma vida melhor para todos. Um momento de alegria, da responsabilidade das Organizações Regionais de Lisboa e de Setúbal do PCP, que contou, no início, com a actuação de Jorge Lomba, que interpretou temas, entre outros, de José Afonso, Fausto, Adriano Correia de Oliveira, Brigada Victor Jara e António Gedeão. Naquele palco, para além de um filme com as grandes iniciativas realizadas pelo PCP em 2009, foram declamados, por Teresa Gafeira e Tavares Marques, textos de Ary dos Santos (A Bandeira Comunista) e de Bertolt Brecht. Antes de Jerónimo de Sousa, interveio An­tónia Lopes, membro do Executivo da Direcção de Organização Regional de Setúbal do PCP, que aproveitou o momento para saudar o centenário da proclamação do Dia Internacional da Mulher. Reportando-se para a actualidade, alertou para a «retirada de direitos» e para o «ataque aos trabalhadores, aos jovens e à população em geral». «O ataque às liberdades e aos direitos é um dos instrumentos desta política de direita», acusou, dando conta que, na passada semana, iniciou-se, em Setúbal, o julgamento de um dirigente sindical acusado do «crime» de mobilização de jovens trabalhadores com contrato de trabalho precário, e de ter participado num plenário onde se denunciaram ilegalidades praticadas pela Lisnave e pela Select no estaleiro da Mitrena. Antónia Lopes lamentou, de igual forma, a quebra do investimento público prevista no Orçamento do Estado nos distritos de Lisboa e de Setúbal. «Nos mais diversos sectores, na empresa, no local de trabalho, na escola, na rua, aí estão os trabalhadores, os jovens, a população, demonstrando, através da luta, que a política seguida pelo Governo do PS não serve e que é preciso um novo rumo para o País», afirmou. Quase a terminar, apelou «à militância de cada comunista, elemento decisivo para a força do Partido». «Importa redobrar esforços para responsabilizar um maior número de camaradas com tarefas, intensificar a formação política e ideológica, reforçar a organização do Partido nas empresas e locais de trabalho», sublinhou a dirigente, anunciando que «estão já marcadas 118 Assembleias nas Organizações Regionais de Lisboa e de Setúbal» e que foram recrutados para o Partido 114 novos militantes. «O fim da exploração do homem pelo homem é um sonho milenar da humanidade, pelo qual muitas gerações de comunistas portugueses lutaram e lutam. É por esse projecto, pelo socialismo, pelo comunismo, que nós lutamos», referiu, terminando com um poema de Ary dos Santos: «Porque somos nós a diferença/que torna os homens iguais/é que não há quem nos vença/cada vez seremos mais». Por um fu­turo me­lhor Por seu lado, Hugo Gar­rido, da Direcção Nacional da JCP, falou das dificuldades que milhares de jovens trabalhadores deparam no seu dia a dia. «O Código de Trabalho, alterado pelo Governo, aliado ao Pacto do Emprego, não são mais do que instrumentos que visam legalizar e perpetuar a precariedade», acusou, lembrando que, apesar deste «ataque cerrado», os jovens «organizam-se e lutam pelos seus direitos». «Os jovens trabalhadores participaram nas grandes lutas dos enfermeiros ou da função pública, bem como nas lutas em vários sectores e em empresas, como vão fazer no próximo dia 26 de Março mais uma grande manifestação de jovens trabalhadores, convocados pela CGTP-IN e pela Interjovem», acrescentou o jovem comunista. Hugo Garrido referiu ainda que a Direcção Nacional da JCP marcou para os dias 22 e 23 de Maio, em Lisboa, o seu 9.º Congresso, com o lema «Com a luta da juventude, construir o futuro». «O Partido pode contar com a juventude, com a sua alegria e combatividade para as batalhas que temos que travar. Certamente que a JCP contará com o Partido para ajudar ao cumprimento da tarefa que lhe cabe, organizar e mobilizar os jovens na luta pelos seus direitos», acentuou Hugo Garrido. Louvor do Par­tido O indivíduo tem dois olhos O Partido tem mil olhos. O Partido vê sete Estados O indivíduo vê uma cidade. O indivíduo tem a sua hora Mas o Partido tem muitas horas. O indivíduo pode ser destruído Mas o Partido não pode ser destruído. Pois ele é a guarda-avançada das massas E conduz a luta delas Com os métodos dos Clássicos, que são tirados Do conhecimento da realidade. Mas quem é o Par­tido? Mas quem é o Partido? Está ele numa casa de telefones? São secretos os seus pensamentos, incógnitas as suas decisões? Quem é ele? Nós somos ele. Tu e eu e Vós - nós todos. Está metade no teu fato, camarada, e pensa dentro da tua cabeça. Onde eu moro é a sua casa, e onde tu és atacado, aí luta ele. Mostra-nos tu o caminho que devemos seguir, e nós Segui-lo-emos como tu, mas Não sigas sem nós o caminho exacto Sem nós é ele O mais errado. Não te afastes de nós! Nós podemos errar, e tu podes ter razão, portanto Não te afastes de nós! Que o caminho curto é melhor que o comprido, ninguém o nega. Mas quando alguém o conhece E não é capaz de no-lo mostrar, de que nos serve a sua sabedoria? Sê sábio connosco! Não te afastes de nós! Ber­tolt Brecht


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