Servir o capital

O deputado comunista Agostinho Lopes desafiou o ministro da Economia a esclarecer se o Governo vai ou não inscrever no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) o congelamento até 2013 dos vencimentos da função pública. «Diga-nos que é mentira, senhor ministro?», insistiu, perante um ministro também ele exímio na arte da esquiva, ou seja, em contornar o essencial, agarrar-se ao acessório, e assim não responder.
E foi o que fez – ou seja, sem responder a nada – relativamente a outras questões colocadas pelo deputado do PCP, como a de saber por que razão há países da Zona Euro e do Sistema Monetário Europeu que podem ter Programas de Estabilidade após 2013, 2014 e 2015 enquanto Portugal tem de ficar por 2013.
Agostinho Lopes criticou ainda o Governo por não ter intervido na viabilização dos Supermercados ALISUPER através da CGD (como fez no BPN e no BPP, e de outras formas na AEROSOLES, e em outras grandes empresas), questionando ainda Vieira da Silva sobre as razões que levaram o Governo a permitir as negociatas accionistas de Grupos Brasileiros no controlo estratégico da CIMPOR.
Questão da maior importância por si colocada foi ainda a do aumento da electricidade de 2,9 por cento em 2010, em consequência da liberalização total das tarifas eléctricas, aumento que é mais de três vezes a taxa de inflação média (0,8%), correspondendo a uma subida média mensal de 1,07 €, tanto como o aumento mensal dos reformados de baixas pensões (1,30 €).
«As empresas vão ter aumento no mercado regulado de 2,97% e no dito liberalizado de 10%. A culpa não é das entidades reguladoras. É da política de direita e do Governo PS», acusou, antes de perguntar ao ministro se «esses aumentos nada têm a ver com os lucros fabulosos da EDP, à média de mil milhões de euros/ano nos últimos 5 anos».


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