Unidos em torno da política de direita
Em vários momentos do debate foi posta em evidência pela bancada comunista a convergência e identificação plena dos partidos de direita com as linhas mestras do orçamento para 2010 do Governo PS. Uma cumplicidade com expressão no plano político, abrangendo PS, PSD e CDS/PP, mas que envolve igualmente os grandes interesses económicos e financeiros, nacionais e estrangeiros, todos se revendo neste documento sobre as contas do Estado.
Um desses momentos foi protagonizado por Bernardino Soares quando este, na sequência de uma intervenção da líder do PSD, aproveitou para comentar uma frase de José Sócrates na qual este afirma, virando-se para o quadrante à esquerda do hemiciclo, que «para fazer acordos com a esquerda tinha que mudar de política».
«Pois o problema é mesmo esse. É que para fazer acordos com a direita não precisou de mudar de política», disparou o líder parlamentar comunista, assim tirando a correspondente ilação de que o chefe do PS fez o que fez «porque não queria nem quer essa mudança».
Comentando a declaração de Manuela Ferreira Leite de que não era por causa do défice que o PSD viabilizava este orçamento, Bernardino Soares expressou «não poder estar mais de acordo com tal afirmação». É que nos aspectos fundamentais, nas questões estruturais das suas opções, «o PSD está de acordo com o orçamento», insistiu.
E deu exemplos: «Está ou não de acordo com a retoma das privatizações, que também praticou quando estava no governo? Está ou não de acordo com esta política de diminuição da administração pública e de penalização das aposentações, que aliás o PSD iniciou quando Manuela Ferreira Leite era ministra das Finanças? Está ou não de acordo com a diminuição do investimento público, que foi, aliás, uma das suas exigências nas negociações com o Governo? Está ou não de acordo com a manutenção destes benefícios à banca, ao off-shore da Madeira, que levam este ano 1090 milhões de euros e já levaram outro tanto em 2009?»
«Ó senhora Manuela Ferreira leite, eu queria até dar-lhe um grande elogio: de facto é muito difícil, estando de acordo com tanto, fazer de conta que se discorda com tanta força. Mas a senhora deputada tem conseguido fazer isso nas suas intervenções», ironizou, acrescentando: «e não me venha dizer que estiveram em desacordo na lei das finanças regionais, porque já percebemos que no tempo do professor Sousa Franco o secretário de Estado do Tesouro era o actual ministro das Finanças e foi ele que pôs a dívida da Madeira a zero».
Ironia das ironias é ainda a circunstância, lembrada por Bernardino Soares, de as normas que o ministro das Finanças agora invoca para não transferir o dinheiro para as regiões «terem sido postas na lei de enquadramento pela senhora deputada Manuela Ferreira Leite». E concluiu: «até nisto há aqui uma grande convergência entre a senhora deputada, o Governo e o ministro das Finanças».
A líder do PSD, o melhor que pôde, lá disse não lhe competir identificar «divergências ou convergências» entre o seu partido e o PS, deixando isso ao cuidado de outros. Mas acabou por confessar que «podendo não estar em desacordo com os objectivos do Governo», está «em total desacordo com os caminhos para lá chegar». Dito de outra forma, como sempre tem afirmado o PCP, pode haver diferenças de pormenor, aqui ou ali, nesta ou naquela medida, de timing ou de prioridade, que isso não altera o facto de ambos os partidos estarem de acordo quanto ao essencial da política de direita.
Um desses momentos foi protagonizado por Bernardino Soares quando este, na sequência de uma intervenção da líder do PSD, aproveitou para comentar uma frase de José Sócrates na qual este afirma, virando-se para o quadrante à esquerda do hemiciclo, que «para fazer acordos com a esquerda tinha que mudar de política».
«Pois o problema é mesmo esse. É que para fazer acordos com a direita não precisou de mudar de política», disparou o líder parlamentar comunista, assim tirando a correspondente ilação de que o chefe do PS fez o que fez «porque não queria nem quer essa mudança».
Comentando a declaração de Manuela Ferreira Leite de que não era por causa do défice que o PSD viabilizava este orçamento, Bernardino Soares expressou «não poder estar mais de acordo com tal afirmação». É que nos aspectos fundamentais, nas questões estruturais das suas opções, «o PSD está de acordo com o orçamento», insistiu.
E deu exemplos: «Está ou não de acordo com a retoma das privatizações, que também praticou quando estava no governo? Está ou não de acordo com esta política de diminuição da administração pública e de penalização das aposentações, que aliás o PSD iniciou quando Manuela Ferreira Leite era ministra das Finanças? Está ou não de acordo com a diminuição do investimento público, que foi, aliás, uma das suas exigências nas negociações com o Governo? Está ou não de acordo com a manutenção destes benefícios à banca, ao off-shore da Madeira, que levam este ano 1090 milhões de euros e já levaram outro tanto em 2009?»
«Ó senhora Manuela Ferreira leite, eu queria até dar-lhe um grande elogio: de facto é muito difícil, estando de acordo com tanto, fazer de conta que se discorda com tanta força. Mas a senhora deputada tem conseguido fazer isso nas suas intervenções», ironizou, acrescentando: «e não me venha dizer que estiveram em desacordo na lei das finanças regionais, porque já percebemos que no tempo do professor Sousa Franco o secretário de Estado do Tesouro era o actual ministro das Finanças e foi ele que pôs a dívida da Madeira a zero».
Ironia das ironias é ainda a circunstância, lembrada por Bernardino Soares, de as normas que o ministro das Finanças agora invoca para não transferir o dinheiro para as regiões «terem sido postas na lei de enquadramento pela senhora deputada Manuela Ferreira Leite». E concluiu: «até nisto há aqui uma grande convergência entre a senhora deputada, o Governo e o ministro das Finanças».
A líder do PSD, o melhor que pôde, lá disse não lhe competir identificar «divergências ou convergências» entre o seu partido e o PS, deixando isso ao cuidado de outros. Mas acabou por confessar que «podendo não estar em desacordo com os objectivos do Governo», está «em total desacordo com os caminhos para lá chegar». Dito de outra forma, como sempre tem afirmado o PCP, pode haver diferenças de pormenor, aqui ou ali, nesta ou naquela medida, de timing ou de prioridade, que isso não altera o facto de ambos os partidos estarem de acordo quanto ao essencial da política de direita.