PCP intensifica combate

«Não à precariedade, trabalho com direitos»

Centena e meia de pessoas, grande parte das quais jovens trabalhadores, participaram, no dia 15, num debate do PCP que teve como lema «Não à precariedade, trabalho com direitos».

A um posto de tra­balho per­ma­nente deve cor­res­ponder um con­trato efec­tivo

A precariedade esteve em debate no sábado na Voz do Operário, em Lisboa. Dirigentes e militantes do Partido e da JCP, sindicalistas, muitos jovens trabalhadores trocaram experiências concretas da situação vivida nas empresas, aprofundando o conhecimento colectivo sobre esta realidade, que já atinge um milhão e duzentos mil trabalhadores em Portugal.
Como afirmou, no final, Jerónimo de Sousa, a precarização do mercado de trabalho é, a par do elevadíssimo desemprego, um dos traços mais «negativos e inquietantes da evolução da situação social portuguesa».
Para Jerónimo de Sousa, não foi preciso esperar três anos para verificar que o grande problema da precariedade do trabalho «está a assumir contornos cada vez mais preocupantes no nosso país». A promoção e generalização da precariedade é mesmo uma das linhas da ofensiva global do Governo, acusou. O objectivo mais geral, prosseguiu, é atingir o conjunto dos direitos dos trabalhadores e o direito à estabilidade do emprego.
Foi esta percepção que «nos impeliu a tomar em mãos, em vários momentos durante estes anos de Governo do PS, o combate, com a denúncia e propostas concretas, contra esta praga social». Isto foi evidente, continuou, na centralidade que o PCP reservou às questões da precariedade nas suas campanhas nacionais e nas iniciativas legislativas e de debate que promove na Assembleia da República.
O dirigente comunista revelou em seguida que o PCP irá intensificar a sua intervenção com novas iniciativas no âmbito da campanha «Basta de Injustiças – Mudar de política para uma vida melhor». E intervirá na Assembleia da República com uma nova iniciativa legislativa, apresentando um projecto para a criação de um Programa Nacional de Combate à Precariedade no Trabalho, entre outras que visam, por exemplo, o reforço dos meios para tornar eficaz a Inspecção-Geral do Trabalho.
Jerónimo de Sousa alertou para a possibilidade de agravamento da situação caso o Governo consiga concretizar a revisão para pior do Código do Trabalho.

PCP tem pro­postas

Com o Governo do PS, continuou Jerónimo de Sousa, Portugal tornou-se num dos países com a maior taxa de precariedade laboral da União Europeia. «Os contratos a prazo, os recibos verdes, a prestação de serviços, o trabalho temporário são as formas dominantes que servem para eternizar a situação de precariedade e acentuar a exploração de milhares e milhares de trabalhadores», realçou.
Para o secretário-geral do Partido, a política do Governo compromete o desenvolvimento do País. A maior parte do emprego que se cria, no meio de uma imensa destruição do emprego, é precário e sem direitos. Nestes três anos de Governo do PS, «não temos melhor emprego». Mas sim «pior emprego e mais mal pago».
Também nos salários é já notório o impacto do aumento da precariedade. Jerónimo de Sousa revelou que este fenómeno é responsável pela desvalorização de cerca de um terço dos salários médios dos trabalhadores com um contrato precário. E reafirmou não ser com a manutenção ou aprofundamento do perfil produtivo assente nos baixos salários e trabalho não qualificado «que se avança».
Antes, Francisco Lopes, da Comissão Política e do Secretariado, e Ilda Figueiredo, do Comité Central e deputada no Parlamento Europeu, tinham tomado da palavra.

Uma re­a­li­dade em cres­ci­mento

- Mais de um milhão e duzentos mil trabalhadores precários, 22,4 por cento do total dos trabalhadores;
- Há mais 122 mil contratos a prazo do que há três anos;
- Hoje, existem menos 106 200 trabalhadores qualificados desde há três anos. Em contrapartida, há mais 177 100 trabalhadores em funções não qualificadas;
- Nos últimos cinco anos, duplicou o desemprego entre os licenciados. Em 2007, 43 mil licenciados desempenhavam trabalhos não qualificados ou de baixa qualificação.

As faces da ex­plo­ração

Metade dos jovens trabalhadores portugueses têm vínculos precários. Segundo Valter Lóios, existem 600 mil trabalhadores até aos 35 anos de idade nesta situação, contabilizando apenas contratos a termo certo e temporários. Para este sindicalista, um jovem trabalhador com o vínculo precário a trabalhar na mesma empresa com um trabalhador com vínculo efectivo «não recebe o mesmo salário e não lhe são garantidos os mesmos direitos».
Assim, afirmou com o conhecimento de quem acompanha diariamente estas questões, «os baixos salários obrigam os jovens a desdobrarem-se em dois empregos de seis horas diárias cada, porque o salário de apenas um não chega sequer para a renda ou crédito».
Entre os enfermeiros a precariedade é imensa, denunciou-se no debate. Apesar da falta de profissionais desta área, há milhares de enfermeiros no desemprego. Os «afortunados» que arranjam emprego vêem-se muitas vezes obrigados à assinatura de um contrato individual de trabalho com termo certo. Muitos há que estão a recibos verdes. As condições de trabalho são, muitas vezes, as seguintes: 40 horas, inexistência de carreira, baixos salários, horários aferidos ao mês (o que é ilegal).
Helena Afonso, dirigente do STAL, denunciou a precariedade em que se trabalha na Administração Local. Contratos a prazo e falsos recibos verdes são apenas alguns dos métodos. Nas empresas municipais e intermunicipais e de capitais mistos, a norma é a contratação de trabalhadores precários.
Paulo Tavares, de Gaia, revelou a realidade dos «prestadores de serviços», os célebres «recibos verdes». Portugal é, logo a seguir à Espanha, um dos países em que se recorre mais a este tipo de trabalho.
Outro jovem, David Pereira, denunciou a existência de apenas uma entidade em Portugal que concede bolsas individuais, a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).


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