DORL homenageia Lopes-Graça

As palavras resistentes

A Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP promove hoje, 30 de Novembro, às 21 horas, no Fórum Lisboa, um concerto de comemoração do centenário do nascimento de Fernando Lopes-Graça. Este espectáculo, intitulado As Palavras Resistentes, insere-se num conjunto de iniciativas comemorativas que os comunistas de Lisboa têm vindo a realizar.
O espectáculo consta de actuações do Coro Lopes-Graça, do Coro da Universidade de Lisboa, do Coral Phydelius e do Coro de Câmara da Universidade de Lisboa, dirigidos pelo maestro José Robert. Entre os poetas que estarão em destaque, contam-se os nomes de Ary dos Santos, Armindo Rodrigues, João José Cochofel, Joaquim Namorado, Eugénio de Andrade, Carlos de Oliveira ou José Gomes Ferreira.
Olga Pratts interpreta a obra de 1927Variações sobre um tema popular português. No espectáculo, participam ainda os actores António Évora, Carmen Santos, Fernanda Montemor, José Morais e Castro, Maria da Purificação e Mário Barradas.

O despertar de um talento raro

Fernando Lopes-Graça nasceu em 1906 em Tomar, cidade onde iniciou os seus estudos musicais. Entre 1924 e 1931 estudou no Conservatório Nacional de Lisboa. As primeiras obras apresentou-as na capital, juntamente com outros colegas do Conservatório. Na mesma altura, inicia o seu trabalho como cronista musical.
Em 1932, começa a ensinar na Academia de Música da cidade, na qual permaneceu até 1936. Os anos de Coimbra terminaram com duas detenções por motivos políticos, que o impediram de leccionar em escolas públicas. Fernando Lopes-Graça tinha, entretanto, conseguido a vaga de professor de piano no Conservatório, vaga essa que acabou por nunca ocupar.
Em 1937, fixou-se em Paris, onde frequentou o curso de Musicologia da Sorbonne. Nesta cidade compôs as suas primeiras harmonizações para voz e piano de canções populares portuguesas.

Regresso e as Heróicas

Em 1939 regressa a Portugal e retoma a sua actividade como cronista musical, musicólogo e professor. Ensinou piano, harmonia e contraponto na Academia de Amadores de Música e constituiu a sociedade Sonata. Neste período retoma as suas colaborações nas publicações periódicas Seara Nova e O Diabo como crítico musical e de teatro. Com Bento de Jesus Caraça funda a Biblioteca Cosmos.
Após a Segunda Guerra Mundial, grande parte da sua actividade foi determinada pela sua participação no Movimento de Unidade Democrática e no PCP, do qual passa a fazer parte.
Em 1945 começa a composição das Canções Heróicas, canções de intervenção que o compositor, apesar da proibição que pairavam sobre elas, nunca cessou. No mesmo ano é criado o Coro do Grupo Dramático Lisbonense, predecessor do Coro da Academia de Amadores de Música, que nasceu em 1950. Quatro anos depois, um despacho ministerial anulava a sua autorização para leccionar e terminava assim a sua participação – como professor – na Academia de Amadores de Música. Manteria, por diversas formas, a sua ligação à instituição.

Fértil criatividade

No final dos anos 50 Lopes-Graça conhece Michel Giacometti, com quem manteve intensa e estrita colaboração. O primeiro fruto desta relação surge em 1960, ano em que é editado o primeiro volume discográfico da colecção Antologia da Música Regional Portuguesa. Já em 1981, ambos editam o Cancioneiro Popular Português.
Desde 1974 até à morte – vinte anos mais tarde – Fernando Lopes-Graça atravessou uma fase particularmente criativa. É desta fase o Requiem para as vítimas do fascismo em Portugal (1979) e outras obras marcantes do autor.

Avante! de dia 14 com CD de Lopes-Graça

O Avante! do próximo dia 14 de Dezembro dará destaque à vida e à obra de Fernando Lopes-Graça por ocasião do centenário do seu nascimento, que se assinala no dia 17. Com esta edição será lançado um CD que contempla uma selecção de algumas das suas obras musicais inéditas e a gravação de concertos dirigidos por si, nomeadamente na primeira edição da Festa do Avante! , em 1976. O preço do jornal com o CD será de 7,50 euros.


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