Contra o “novo normal”
Os perigos que pairam sobre a Humanidade são muito grandes
Os perigos que pairam sobre a Humanidade não cessam de crescer. Todos os dias somos colocados perante renovadas expressões da perversa natureza do capitalismo. Valores e direitos alcançados pelo progresso civilizacional são pura e simplesmente espezinhados. O terrorismo e a pirataria tornam-se, como nos EUA e Israel, políticas de Estado que a comunicação social dominante trata com a maior naturalidade. Bombardear populações e assediá-las pela fome; impor bloqueios para estrangular economias e provocar sofrimento; assumir abertamente a ingerência em países soberanos para influenciar eleições, impor “mudanças de regime” e orquestrar “revoluções coloridas”; assassinar os dirigentes de outros Estados; rasgar acordos e atacar traiçoeiramente o adversário no decorrer de negociações; ameaçar com agressão devastadora países que não aceitem submeter-se; apoiar ou contemporizar com o genocídio; banalizar o recurso à arma nuclear – tudo isto está a ser progressivamente normalizado e integrado na ofensiva ideológica global da classe dominante como inevitável.
Estaríamos perante um “novo normal”, um outro tempo nas relações internacionais em que a ordem fundamentalmente democrática e antifascista resultante da derrota do nazi-fascismo na II Guerra Mundial (para a qual a URSS e os partidos comunistas deram a contribuição fundamental), estaria a ser definitivamente substituída por uma outra, ditada pelo imperialismo, pura e simplesmente baseada na força. A militarização e a transformação da União Europeia num poderoso bloco militar belicista para “enfrentar a ameaça russa” e “competir com os EUA e a China” estariam na ordem natural das coisas. Como o estariam as ambições de uma Alemanha que “está de volta” com o propósito, de triste memória, de se dotar do “maior exército europeu”. Ou a perigosíssima evolução do Japão com o regresso do militarismo e sérias ameaças à China, num quadro de provocatória reabilitação de um passado fascista responsável pelos piores crimes na Coreia, na China e noutros países que ocupou na II Guerra Mundial.
Esta visão fatalista da evolução mundial é a inaceitável visão da classe dominante. É certo que os perigos que pairam sobre a Humanidade são muito grandes. Os crimes cometidos em relação à Palestina, Venezuela, Cuba, Irão mostram do que o imperialismo é capaz para tentar contrariar a sua decadência e o seu declínio mundial. O tempo é de dura resistência e o principal é apontar com clareza o inimigo principal (os EUA com os seus satélites da NATO e do G7), unir forças contra ele e confiar em que, em definitivo, é a luta dos povos e a sua solidariedade internacionalista que decidem. O que se impõe é persistir e combater a mentira, a desinformação, as campanhas que visam propagar o medo, o conformismo, a impotência. É ligar a luta contra o militarismo e a guerra à luta em defesa dos interesses mais sentidos dos trabalhadores (e desde logo pela derrota do pacote laboral) e à defesa da soberania nacional, denunciando a vergonhosa submissão do Governo PSD/CDS ao imperialismo norte-americano, como agora com a utilização da Base das Lajes na agressão ao Irão. É dar mais força à luta pela paz, luta em que se inserem as manifestações unitárias “Paz, Soberania e Solidariedade – fim às ameaças e agressões dos EUA” que terão lugar em Lisboa e no Porto em 14 de Março.




