Irracionalidades
1. Há um país cujos dirigentes se guiam por um parágrafo de um texto religioso que pode datar, ao que dizem, de há uns 3500 anos. Nele o deus privativo dessa gente (o seu “escudo”, diz esse texto) dá aos descendentes de Abraão a terra que vai do Nilo ao Eufrates, e incita-os a correr dela os 10 povos que a habitam. Demorou, mas desde há quase um século que devastam a zona, expulsando e massacrando quem lá vivia e vive, muitos dos quais talvez etnicamente mais próximos de Abraão do que os ocupantes sionistas, que continuam a brandir o velho parágrafo bíblico. E têm a lata de pretender justificar o actual ataque ao Irão por este ser “fanático” e “terrorista”.
2. “As guerras começam quando queres, mas não terminam quando te agrada”, escreveu Niccoló Machiavel. O senso comum adoptou uma ideia próxima: “sabe-se quando começa uma guerra, não se sabe como acaba”. Para os iranianos, o “sabe-se quando começa” ficou claro após duas amargas experiências: se estás a meio do que julgas ser uma negociação com os EUA, é garantido que vais ser bombardeado.
3. Fica a parte de como acabam. Para o imperialismo o objectivo nunca muda: dominação, espoliação e rapina, seja qual for o preço a pagar. Militarmente, parece que não será apenas o agredido mas também o agressor a pagar um alto preço. E se as guerras costumam dar-lhe ganhos em bolsa - não só nas indústrias do armamento – talvez agora a coisa não esteja a correr bem. Em Nova Iorque os índices Dow Jones, S&P500, Nasdaq tiveram pela segunda semana consecutiva quebras que chegam aos 450 pontos (3%). Será por isso que os maiores ataques ocorrem aos sábados, com as bolsas fechadas. O barril de petróleo atingira os 90 dólares. Trump declara não aceitar nada menos que a “rendição incondicional” do Irão, e os futuros dispararam para 92,61.
Ainda irá no adro. Não é de excluir que tais irracionais agressores possam ser quem mais perde.




