Rastejantes mordomias
A agressão ao Irão é ilegal, ilegítima e criminosa. Os seus objectivos são evidentes: criar as condições para o velho projecto sionista e imperialista do “grande Israel”; eliminar qualquer resistência à conclusão do genocídio do povo palestiniano; instaurar uma “ordem regional” às ordens dos EUA que não admite relações dos países da região fora do redil imperialista, desde logo com a China; controlar os recursos naturais e decidir sobre a sua utilização e comercialização; avançar no domínio sobre um território que é um enorme corredor de ligação do Médio Oriente à Ásia central e Oceano Indico. É uma guerra verdadeiramente imperialista, há muito admitida pelos seus falcões, desencadeada com base em mentiras, como a da “arma nuclear” e que nada tem que ver com os direitos e justas aspirações do povo iraniano, bem pelo contrário.
Esta é a realidade. Depois vem a propaganda de guerra, a hipocrisia e a cobardia transformadas em “análise política” ou “política de Estado”, e não é preciso sair das nossas fronteiras para perceber isso. O posicionamento do Governo português é, além de vergonhoso e perigoso, um acto de descarada mentira. Uma simples leitura do Acordo que regula a utilização da BA4 (Lajes) não deixa margens para dúvidas que o Governo português tinha de autorizar as operações militares nas Base das Lajes integradas na agressão ao Irão, que sabia exactamente o que autorizou e que isso associaria Portugal a esta guerra. A entrevista do inefável Paulo Rangel, onde tentou tomar o povo português por parvo, só teve uma vantagem: revelou a sua rastejante subserviência e cobardia. E como não correu bem, foi preciso ir buscar alguém com “credenciais” nisto de associar Portugal a guerras ilegítimas e ilegais.
Em 45 minutos de Antena na RTP, Durão Barroso classificou a agressão ao Irão com um acto em defesa “dos valores ocidentais”, “explicou-nos” que isso do Direito Internacional não interessa nada e que Portugal tem de obedecer cegamente ao “aliado”, faça ele o que fizer. Passados 23 anos vemos que Durão não perdeu o treino de fiel e “discreto” “mordomo” do seu patrão americano. Tão discreto que o primeiro-ministro espanhol se referiu à cimeira da guerra nas Lajes de há 23 anos, como “o trio dos Açores”, remetendo o rastejante mordomo ao esquecimento.




