Resolver o flagelo dos incêndios e apoiar a protecção civil
Paulo Raimundo esteve, no dia 15, em contacto com a população de Albergaria-a-Velha, atingida pelos incêndios que assolaram a região em Setembro. No mesmo dia, uma delegação do Partido, integrada pelo Secretário-Geral do PCP, também reuniu com os Bombeiros Voluntários do concelho.
PCP propôs alargamento dos apoios imediatos às vítimas de incêndios para 10 mil euros
À chegada à Praça da República, na freguesia de Angeja, eram já várias as pessoas que esperavam o Secretário-Geral. Seguiriam-se vários relatos do fogo que varreu aquele e outros concelhos da região no passado mês de Setembro. No seu cômputo geral, para além da crueldade das chamas, todos os depoimentos ali partilhados, evidenciaram a responsabilidade de quem governa o País e que, ano pós ano, permite que a mesma tragédia se abata sobre a população portuguesa.
«Acho chocante e surpreendente que não tenhamos tido apoio rigorosamente nenhum a nível de meios. Estava tudo a arder e compreende-se que os bombeiros não possam fazer mais do que aquilo que lhes é possível, mas a verdade é que se não fosse a boa-vontade dos meus vizinhos, eu não teria nada neste momento», partilhou uma mãe de criança ao colo. A esta juntar-se-ia um bombeiro: «Eu fui um dos combatentes destes incêndios, em Sever do Vouga, e posso-vos dizer que nós não somos ninguém contra a natureza. Combati fogos com ventos a 75 km/h às três da manhã. Mesmo com muito planeamento, não conseguimos ter carros de combate em todas as casas. Isto é triste. Também vi os incêndios de 2017 e de lá até hoje, nada foi feito. Fazemos o que podemos, mas chegamos a um ponto em que não temos força para mais». Entre vários relatos, surgiu outro, sobre a destruição provocada pelo fogo: «Tive a oportunidade de visitar o alto da montanha do Préstimo, em Á-dos-Ferreiros. Fiquei completamente desolado, vi tudo negro. Lamento que não haja nenhum apoio aos pequenos produtores que, como não são auxiliados, não conseguem amanhar as terras».
Governo rápido na propaganda e limitado nos apoios
Dirigindo-se aos presentes, Paulo Raimundo começou por prestar solidariedade às pessoas daquela terra, que estendeu a todos os que deram combate àqueles incêndios. Solidariedade que, informou, já se materializou em acções concretas: questionamentos, visitas ao terreno e intervenções ao nível da Assembleia da República e do Parlamento Europeu.
«Fogos», continuou, «sempre houveram e vão continuar a haver. Quem aqui chegar e prometer o contrário, está a mentir e é demagógico. Mas há uma coisa que é preciso e possível garantir: trabalhar para que catástrofes como estas não voltem a acontecer». Aliás, acrescentou, «não vale a pena encomendar mais estudos que já é claro tudo o que é preciso fazer. Não vale a pena lágrimas de crocodilo e promessas vãs». «O que é preciso», insistiu, é «concretizar, de uma vez por todas, tudo aquilo que é preciso fazer: uma política florestal, apoiar quem está nas terras, os agricultores e os que lá vivem e apoiar os bombeiros e os agentes da protecção civil». «Há meios para isso, não há é vontade política», esclareceu.
Antes de terminar, Paulo Raimundo criticou ainda o Governo: «rapidíssimo na propaganda e nas promessas», mas de «efeitos práticos lentos, limitados e muito aquém daquilo que é necessário». Recordando a proposta do PCP de aumento do apoio inicial para as vítimas destes incêndios para dez mil euros, o Secretário-Geral acusou este e o último executivos de acções contraditórias como a proposta à União Europeia de retirar, a Portugal, dos apoios comunitários, 114 milhões de euros em apoios à floresta. «Tal e qual o Governo anterior que, pela mesma linha, cortou à floresta 150 milhões», recordou.
Em contacto com os bombeiros
Antes desta iniciativa, houve lugar para uma reunião com os Bombeiros Voluntários de Albergaria, onde o PCP foi recebido pelo Presidente da Direcção e o Adjunto do Comando. No encontro foi possível aprofundar o conhecimento sobre os problemas das corporações de bombeiros e do sistema de Protecção Civil, como as alterações de orgânica decididas pelo governo do PS que eliminaram a estrutura distrital de comando, o que acabou por acarretar uma menor operacionalidade e eficácia e mais burocracia. Outro problema transversal a todas as associações é a questão do subfinanciamento, em que os enormes encargos financeiros associados ao socorro e à segurança das populações, sendo responsabilidade do Estado, são assumidos pelos bombeiros.