«Todos os votos na CDU contam» em defesa do Interior
No passado domingo, dia 4, a CDU realizou um almoço-comício, na Covilhã, e, de manhã, uma sessão pública na Guarda, ambas com a presença de Paulo Raimundo, Secretário-Geral do PCP.
CDU, força que não desiste do Interior
A Beira Interior, região particularmente afectada pela desertificação, foi palco de um importante almoço-comício da CDU, na Escola Secundária Frei Heitor Pinto, Covilhã. Aqui, Paulo Raimundo destacou a pequenez da sala face à centena de activistas e apoiantes presentes, num claro sinal do reforço da CDU.
Focado nos problemas do distrito de Castelo Branco, o Secretário-Geral destacou a perda da população na região (9 por cento entre 2011 e 2021), mas retorquiu que o Interior não está condenado. Foi, pelo contrário, empurrado por uma política de destruição da capacidade produtiva e abandono de serviços públicos.
É necessário, portanto, uma política de investimento na região. Modernizar o regadio da Cova da Beira, concretizar o regadio no sul da Gardunha, valorizar a lã, defender a Serra da Estrela (recuperando o que foi destruído no incêndio de 2022) e reforçar os meios do ICNF e Protecção Civil foram algumas das muitas prioridades elencadas.
O Secretário-Geral destacou, ainda,o fim das portagens na A23 e A25, proposta antiga da CDU e que figura agora como promessa do PS. «Bem vindos», referiu, irónico, lembrando quem esteve sempre na primeira linha deste combate, com o voto contra desse mesmo PS.
Não deixando de apontar a necessidade do aumento geral dos salários e pensões, a importância da reindustrialização e o combate à corrupção (originada pela promiscuidade entre poder político e económico, de que as privatizações e concessões são exemplo), Paulo Raimundo afirmou que tudo isto só será possível com o voto na CDU. «Todos os votos na CDU contam, e contam em todos os locais!», exclamou.
Já Jorge Fael, primeiro candidato pelo círculo de Castelo Branco, destacou uma lista da CDU «composta por homens e mulheres ligados à realidade do distrito», que partem para uma «batalha de esclarecimento» na região, contra o caminho de empobrecimento que a política de direita lhe impôs.
«Não há distrito desenvolvido sem trabalhadores dignificados e valorizados», lembrou, num distrito onde o salário médio são 934 euros. Para romper com esse rumo, afirmou, é necessária uma verdadeira aposta no distrito, apenas possível com o voto na CDU.
Ainda na sessão interveio Ema Gomes, do Conselho Nacional do PEV e candidata, que destacou a necessidade da preservação e conservação da natureza, contrariada por aqueles que optam pelos interesses dos grandes grupos económicos (patente, por exemplo, nos grandes projectos fotovoltaicos). Apontando a necessidade de unir a justiça ambiental à justiça social, afirmou que «em política não há inevitabilidades», e que dia 10 de Março «a voz ecologista irá regressar à AR».
Pelo desenvolvimento da Guarda
Ainda de manhã, no Centro Social e Cultural de São Miguel, na Guarda, marcaram presença diversos candidatos e activistas da CDU, intervindo, além do Secretário-Geral, José Pedro Branquinho, primeiro candidato pelo distrito, e Miguel Martins, da Comissão Executiva do PEV e candidato.
Aqui, Paulo Raimundo valorizou a CDU,força que «não desiste do Interior»,e que, ao contrário dos partidos da política de direita, não convergiu, em «quatro décadas de PAC», a favor do agro-negócio e «da ditadura da grande distribuição», contra a agricultura familiar, num momento que os agricultoresexigem preços justos para os seus produtos (ver páginas 4 e 5).
O novo rumo para o País, afirmou, não pode ser feito com promessas vazias, mas sim com «propostas e medidas concretas», como a valorização das forças e serviços de segurança, respondendo às suas reivindicações, o aumento geral de salários e pensões, entre outras. Medidaspossíveis, concluiu, apenas com o voto na CDU, a «esperança de uma vida melhor».
Por sua vez, José Pedro Branquinho afirmou a necessidade de «vencer o isolamento e assimetrias», por um «desenvolvimento integrado e estrutural» do Interior. Pôr fim às portagens nas ex-SCUT, construir e requalificar o IC6 e a rede ferroviária e rodoviária, apoiar cooperativas, baldios e micro, pequenas e médias empresas, fixar novas fileiras produtivas na região e valorizar o seu património natural foram algumas das necessidades apontadas.
Já Miguel Martins destacou a falta que os deputados do PEV fizeram na AR, em defesa das populações e com propostas concretas como a despoluição dos rios Diz e Noéme, afirmando a necessidade de eleger deputados ecologistas na próxima legislatura.
Aqui estiveram presentes, como na Covilhã,Alexandre Araújo, do Secretariado do Comité Central (CC) do PCP eVladimiro Vale, da Comissão Política do CC, bem como Cesaldina Robalo, do CC, e Aristides Sampaio, mandatário distrital.