Testemunho maior da força do PCP e do seu ideal e projecto
Voltou a ser um momento absolutamente marcante da Festa, o seu ponto político mais alto. O comício revelou ser uma vez mais expressão maior da força do grande colectivo partidário. Mas também da vitalidade deste e seu poder de atracção, seu enraizamento popular e estreita ligação aos trabalhadores e ao povo. É aí que se encontra a explicação para a capacidade de erguer uma tão grandiosa obra colectiva como é a Festa do Avante!.
Ali se viveu uma atmosfera exaltante a que ninguém pôde ficar indiferente, tal a corrente de energia em todo o grande círculo frente ao Palco 25 de Abril e que se estendeu pelas avenidas que dele irradiam. Não sendo isto propriamente novidade – esse é um padrão verificável em todas as anteriores edições da Festa -, há que dizer que o comício deste ano assumiu contornos particulares. Falamos da chuva persistente, durante praticamente todo o discurso do Secretário-Geral do PCP, e de como esse factor adverso foi superado. Não arredar pé, assim reagiu a imensa mole humana que preencheu todo o grande círculo e áreas adjacentes: firme e unida, acompanhando até ao fim as palavras de Paulo Raimundo, viveu o momento com ainda maior intensidade e entusiasmo.
Assistiu-se assim a um notável testemunho de firmeza, vontade indomável e generosa entrega. A revelar, sobretudo – com um significado ainda maior -, a maturidade e compreensão política por parte de quem tinha a noção do valor exacto daquele acto simbólico e colectivo de resistência.
Sejam quais forem as condições, «faça chuva ou faça sol», como sublinhou o Secretário-Geral já no final da sua intervenção.
Ambiente único
Foi, pois, nesse ambiente caloroso que decorreu todo o comício. E que cedo se manifestou, logo que Alexandra Pinto, que o apresentou, iniciou a chamada ao palco de camaradas em representação da direcção da Festa, da JCP, os membros da Comissão Central de Controlo, do Comité Central, do Secretariado e da Comissão Política. E que atingiu o rubro com a entrada do Secretário-Geral. No discurso por este proferido, antecedido por Inês Guerreiro, da JCP, e por Manuel Rodrigues, da Comissão Política e director do Avante!, essa tónica dominante não escapou à sua observação. «Que ambiente, que alegria, que força esta, que determinação e confiança, que grande que é a nossa Festa», foram as suas primeiras palavras a partir da tribuna.
Foi, por conseguinte, esse o ambiente que perpassou o comício ao final da tarde de domingo, de onde nunca estiveram ausentes nem o entusiasmo nem a confiança. Confiança indissociável dos valores agregadores – e estavam todos lá – da força política que o organizou. Desde logo os valores da Revolução de Abril, processo libertador cujo 50.º aniversário foi amplamente celebrado nesta edição da Festa. Valores de liberdade e democracia inseparáveis desse conjunto amplo de outras conquistas que a Constituição consagra, seja o trabalho digno e com direitos ou o direito à saúde, seja os direitos à educação ou à habitação, entre tantos outros.
Ali se respirou liberdade, fraternidade, sentido de partilha, espírito de camaradagem, solidariedade internacionalista.
E alegria. Muita alegria, tanta como a determinação posta na luta contra a política da exploração e do empobrecimento, por quem não se resigna às injustiças e desigualdades, não desiste do combate por uma vida melhor e por um País mais justo, soberano e desenvolvido.
Confiança no futuro
Pela sua dimensão de massas, este foi um comício sem paralelo no País – como é sempre, aliás -, galvanizador, a elevar os sentimentos ao limite da emoção. Nele prevaleceu o espírito combativo, com os discursos a serem atentamente seguidos e sublinhados – nesse outro sinal de grande sensibilidade política -, ora por fortes aplausos, ora por vibrantes palavras de ordem, ora pelo agitar mais ritmado do imenso mar de bandeiras vermelhas.
Um comício que foi, importa ainda sublinhá-lo, um indicador inequívoco de coesão interna do Partido, da unidade em torno da sua direcção, uma demonstração clara da força e perenidade dos seus ideais e do seu projecto.
Tendo sido tudo isto, foi ainda exemplar no tocante à sua organização e disciplina, desde o minuto inicial –eram 18h00 em ponto – até ao fechar do pano com esse momento empolgante e mágico que é sempre a Carvalhesa, esse convite ao libertar dos corpos e à dança.
Foi assim o comício da Festa 2023, de onde saíram, uma vez mais, propostas e soluções a comprovar que há uma política alternativa, patriótica e de esquerda, capaz de operar a desejada mudança e a almejada resposta aos problemas e anseios dos trabalhadores e do povo, aos bloqueios e graves défices do País.