Lutas e resistências num mundo em mudança
Da solidariedade com o povo da Palestina e os povos no Médio Oriente à luta dos africanos pela sua emancipação, passando pelas lutas e alternativas por uma Europa de paz, progresso e cooperação, pelos desafios num mundo em mudança, pela luta, resistência e avanços na América Latina e pela necessidade de parar a guerra e dar uma oportunidade à paz, diversos foram os temas debatidos no Espaço Internacional da Festa do Avante!, que tinha como lema «Paz! Não ao militarismo e à guerra – mais força à frente anti-imperialista!». Nos vários pavilhões lá estavam as tradições e os sabores, as lutas e aspirações dos países e dos partidos comunistas e progressistas aí representados.
Com a participação de vários partidos, entre as dezenas de organizações presentes, os debates foram acompanhados por numerosa assistência, interessada em conhecer as lutas dos povos que os grandes meios de informação silenciam.
No Espaço Debates, no sábado, 2, o primeiro debate foi sobre a Solidariedade com a Palestina e os povos no Médio Oriente. Moderado por Jorge Cadima, do PCP, contou com intervenções de Navid Shomali, do Partido do Povo do Irão (Tudeh); de Firas Masri, do Partido Comunista Libanês; de Nedal Fatou, da Frente Democrática para a Libertação da Palestina; de Fayez Badawui, da Frente Popular de Libertação da Palestina; e de Ashan Çakaloglu, do Partido Comunista da Turquia.
Os oradores expressaram solidariedade com a «resistência heróica do povo da Palestina, desde há 75 anos», e denunciaram que os EUA e aliados criam instabilidade e caos no Médio Oriente, do Iraque ao Afeganistão, passando pela Síria, Líbia, Líbano e Irão, para dominar e pilhar as riquezas da região.
Seguiu-se o debate sobre Lutas e alternativas por uma Europa de paz, progresso, cooperação, dirigido por Pedro Guerreiro, do PCP. Intervieram Lizz Printz, do Partido do Trabalho da Bélgica; Charlotte Balavoine, do Partido Comunista Francês; Stefan Natke, do Partido Comunista Alemão; Edu Navarro, do Partido Comunista de Espanha; e Vicenzo Colaprice, da Refundação Comunista (de Itália). Todas as intervenções foram de condenação da guerra na Ucrânia, promovida e alimentada pelos EUA, NATO e UE, e de confirmação de que é necessária persistência na luta pela paz e por uma outra Europa – que não a UE neoliberal, militarista e federalista –, uma Europa de cooperação, progresso social e paz, uma Europa dos trabalhadores e dos povos.
Perigos mas também potencialidades
Desafios num mundo em mudança – crise do capitalismo, processo de rearrumação de forças, luta dos trabalhadores e dos povos foi o tema do debate seguinte. Ângelo Alves, do PCP, dirigiu os trabalhos e também intervieram Andrei Krasilnikov, do Partido Comunista da Bielorrússia; Walter Pomar, do Partido dos Trabalhadores, do Brasil; Emiliano Alessandroni, do Partido Comunista Italiano; e Uli Brockmeyer, do Partido Comunista Luxemburguês. «Estamos a ver o mundo mudar, num processo turbulento e cheio de contradições, com perigos mas também potencialidades de avanços progressistas. O imperialismo dá uma resposta belicista, de que são exemplos a guerra na Ucrânia, as ameaças à China, os golpes de Estado em África, as tentativas de travar o desenvolvimento na América Latina», foi destacado.
Luta, resistência e avanços na América Latina – eis o tema do último debate de sábado, moderado por Luís Carapinha, do PCP. Intervieram Sandra Zapatero, do Partido Comunista da Argentina; Ana Prestes, do Partido Comunista do Brasil; Jefferson Corredor Uyaban, do Partido Comunista Colombiano; Elier Ramirez Cañedo, do Partido Comunista de Cuba; e Virgínia Ros, do Partido Comunista do Uruguai. Além da constatação dos avanços e recuos progressistas registados na região, destacou-se os 200 anos da Doutrina Monroe («a América para os EUA», «a América Latina como pátio traseiro dos EUA»), 200 anos de exploração, agressões e ingerências. E foi unânime a condenação veemente dos mais de 60 anos do brutal bloqueio a Cuba, agravado com a inclusão deste país numa hipócrita, vergonhosa e ilegitima lista norte-americana de «patrocinadores do terrorismo».
Defender a paz no mundo
No domingo, Parar a guerra, dar uma oportunidade à paz serviu de mote a outro debate. Maurício Miguel, do PCP, foi o moderador. Intervieram também Ilda Figueiredo, do CC do PCP; José Goulão, jornalista; e António Joaquim, da JCP. Foi afirmada a condenação do belicismo dos EUA, NATO e aliados, da escalada de confrontação e da guerra, da corrida armamentista, nomeadamente na Ucrânia, e consensual a exigência de parar a guerra, não só na Europa mas na Palestina, no Sara Ocidental, na Síria, no Iémen, no Sudão, bem como as ameaças de guerra na Ásia-Pacífico.
O tema do último debate da Festa foi Centenário de Amílcar Cabral – a luta dos povos africanos pela sua emancipação. Albano Nunes, do PCP, conduziu os trabalhos, em que intervieram também Julião Varela do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV); Julião Sousa, do PAIGC (Guiné-Bissau); Rui Andrade, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA); Elias Mutembo, da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO); e Guilherme Octaviano, do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP).
Foi valorizada a luta e legado de Amílcar Cabral, líder revolucionário da luta dos povos guineense e cabo-verdiano pela independência nacional, evocados os históricos laços de solidariedade entre o PCP e os movimentos de libertação nacional das antigas colónias portuguesas e afirmada a importância de prosseguir e desenvolver essas relações de amizade e cooperação.
Festa da solidariedade
Para além dos debates e dos pavilhões, bares e restaurantes dos partidos comunistas e progressistas representados no Espaço Internacional, realizaram-se sete momentos de solidariedade nos espaços de diversas organizações regionais, onde também foi possível escutar de viva voz os desafios colocados às forças revolucionárias e progressistas dos quatro cantos do mundo.
No sábado realizaram-se quatro destes momentos. América Latina, a luta continua, na OR do Porto, teve a participação de Victoria Foronda do Partido Comunista da Bolívia, Hugo Orejuela, da Marcha Patriótica, Colômbia, Emílio Mendoza Saldaña do Partido Comunista Peruano, e Sandra Pereira, do PCP. Palestina vencerá, na OR de Lisboa, contou com as intervenções de Nabil Abuznaid, da Organização da Libertação da Palestina, Ahmed Marouf, do Movimento Fatah, e de Carlos Almeida, do PCP. Solidariedade com a Venezuela Bolivariana, na OR de Setúbal, deu voz à embaixadora da República Bolivariana da Venezuela em Portugal, Mary Flores. Ainda no sábado, o representante da Frente Polisário em Portugal, Omar Mih, e João Pimenta Lopes, do PCP, participaram na OR do Algarve no momento de solidariedade Sara Ocidental – cumprir o direito à autodeterminação.
No domingo, houve mais três: Chipre – fim à ocupação!, na OR de Braga, com Vakis Charalambo, do AKEL, e Joel Moriano, do PCP; Nos 50 anos do golpe militar no Chile – não ao fascismo!, na OR de Leiria, com Marcos Suzarte, do Partido Comunista do Chile, Ana Prestes, do Partido Comunista do Brasil, Alberto Lombardo, do Partido Comunista – Itália, e António Filipe, do PCP; e ainda Juntos por Cuba – fim ao bloqueio!, na OR do Alentejo, com Elier Ramirez Cañedo, do Partido Comunista de Cuba, e Bruno Dias, do PCP.
O mundo na Festa
Mais de meia centena de partidos comunistas e operários e outras forças revolucionárias e progressistas estiveram presentes na Festa do Avante!, fazendo dela, uma vez mais, um amplo espaço de solidariedade internacionalista. Foram estas as delegações presentes:
Partido Comunista Alemão; Movimento Popular de Libertação de Angola; Partido da Frente de Libertação Nacional (Argélia); Partido Comunista da Argentina; Partido do Trabalho da Bélgica; Partido Comunista da Bielorrússia; Partido Comunista da Bolívia; Partido Comunista do Brasil; Partido dos Trabalhadores (Brasil); Partido Africano da Independência de Cabo-Verde; Partido Comunista do Chile; Partido Comunista da China; Partido Progressista do Povo Trabalhador – AKEL (Chipre); Partido Comunista Colombiano; Marcha Patriótica (Colômbia); Partido Comunista de Cuba; Partido Comunista de Espanha; Partido Comunista dos Povos de Espanha; Comunistas da Catalunha; Bloco Nacionalista Galego; Partido Comunista Francês; Polo da Renascença Comunista de França; Partido Comunista da Grécia; Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde; Novo Partido Comunista da Holanda; Partido dos Trabalhadores da Hungria; Partido do Povo do Irão (Tudeh); Partido Comunista da Irlanda; Partido Comunista Italiano; Partido da Refundação Comunista; Partido Comunista (Itália); Partido Comunista Japonês; Partido Comunista Libanês; Partido Comunista Luxemburguês; Frente de Libertação de Moçambique; Organização para a Libertação da Palestina; Frente Popular de Libertação da Palestina; Frente Democrática de Libertação da Palestina; Movimento Fatah; Partido Comunista Peruano; Partido Comunista da Boémia e Morávia; Partido Comunista Britânico; Frente Polisário (Sara Ocidental); Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe; Partido Comunista (Suíça); Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente; Partido Comunista da Turquia; Partido Comunista do Uruguai; Partido Comunista da Venezuela; Partido Socialista Unido da Venezuela; Partido Comunista do Vietname.