Festa de alegria e confiança
Distribuídas pelo terreno, de uma ponta à outra cobrindo toda a extensão, num circuito ao ar livre, as organizações regionais unem as duas entradas da Festa oferecendo aos visitantes o ambiente festivo de unidade e luta.
A presença das Regiões Autónomas e dos distritos do Continente permitem aos visitantes conhecer as propostas e soluções dos comunistas para a resolução dos problemas nacionais. No encalço dessas características não espanta que logo numa das entradas fossemos recebidos pela seguinte questão que pintada num mural a todos interpelava «Há quanto tempo estás à espera?» e pela sua resposta: «Luta!». Meia dúzia de metros percorridos mais apelos à unidade e luta estavam anunciados com a Festa inteira a assinalar as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril nos espaços regionais com a palavra de ordem Abril é mais futuro!
De cores garridas com predomínio do vermelho e do azul, as paredes laterais interiores e exteriores dos stands ficaram mais aprimoradas e nelas foram instaladas exposições e criados murais colectivos e autorais dedicados a lutas históricas – como as greves dos pescadores, no fascismo, expondo materiais da época como o jornal Avante!, documentos e fotografias – e lutas actuais – habitação, saúde, produção nacional, mais salários e pensões, entre tantas outras exigências – nas quais o Partido é voz activa junto das populações e dos trabalhadores. Também, cinco artigos do Preâmbulo da Constituição Portuguesa e a data da sua promulgação em 2/ 4/ 1976, e excertos de obras dos escritores José Saramago, Alves Redol e Aquilino Ribeiro.
Processos criativos manuais e tecnológicos a questionarem e a fazerem parar os visitantes para os ler ou fotografar servindo-lhes de guia e enriquecimento às conversas do dia-a-dia ao registarem problemas que sendo específicos de determinada região, afinal, respeitam a todas porque não há freguesia ou local no nosso País cuja população não sonhe e lute por melhores dias.
Aproveitando as tecnologias presentes na Festa, a pintura das palavras Liberdade e Resistir, em dois dos murais, dava acesso gratuito à appArtivive para visionar um vídeo através da realidade aumentada.
As soluções para os problemas nacionais trazidos pelas organizações encontram-se nas muitas propostas apresentadas pelo Partido em cada legislatura na Assembleia da República. Além de constarem nos painéis expositores, foram ampliadas em cada um dos 18 debates realizados nas regiões, nos quais se discutiram temas como a importância do 25 de Abril para as Regiões Autónomas, produção, acesso à água e água pública, agricultura familiar, olival tradicional, terra, defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Linha do Oeste, resíduos, direito à habitação, horários e ritmos de trabalho, riqueza natural e desigualdade social, Douro e referência a Alves Redol, alta competição e comunicação social, pela intervenção de dirigentes e eleitos comunistas, convidados e de centenas de assistentes, expondo de viva voz factos, números e questões. Em sete momentos de Solidariedade foi discutida e aplaudida a luta dos povos da América Latina, Chile, Chipre, Cuba, Palestina, Sahara Ocidental e Venezuela Bolivariana e erguidas as suas vozes e bandeiras (ver pág. 13).
Em paralelo, múltiplas outras actividades tiveram lugar em cada região, contribuindo para que os visitantes tenham maior apreço pela Festa inteira e a façam viver durante um ano inteiro. Umas programadas como as oficinas de azulejos (ver págs. 4 e 5), foles, calçada portuguesa, roda de Capoeira, dança, Swing n’Smile, pinturas faciais, os espectáculos com Rini e Bastolini, Cantar Juntos, Skalabá Tuka, corais, gaiteiros, conto, jogos, experiências, brincadeiras musicais, folclore, Ao Luar Teatro, e um laboratório musical. Também foram feitas apresentações das novas edições do Caderno Vermelho (número 31), e da revista A Fábrica, do livro Margem Esquerda, de Abílio Machado, e aspectos relevantes da vida e do trabalho de Augusto Cabrita com exposição de livros de fotografia que deram a conhecer melhor a sua obra. E no Espaço do Fado dezenas de fadistas acompanhados à guitarra e à viola fizeram ouvir as suas vozes acompanhados pelas vozes e palmas do público. Outras improvisadas, que o ambiente festivo de unidade e luta leva-nos a soltar a voz, o assobio e as palmas, a bailar, a contar lembranças e estórias ou a percutir ritmos nos tampos das mesas e bancos.
E, a Festa surpreendeu também os visitantes mais pequenos e as suas famílias, nas regiões. Para dezenas de crianças todos os minutos contaram para fazerem amigos e brincarem junto da Árvore da Chucha e no Sítio da Brincadeira. Dois espaços com mobiliário à sua altura, canetas, tintas e pincéis, um cesto com materiais para usar e devolver e tão pertinho de um dos Espaços Bebé. E foi ver muitos deles de camisolas vestidas com as inscrições Geração de Abril ou Não há Festa como esta! a soltarem a imaginação pintando no mural, a decorar T-shirts, a ver teatro, a ouvir contos e depois a acrescentar-lhes palavras e ideias, a pendurar a chucha na fita que pendia da Árvore ou a dormir a sesta à sombra da sua copa.
Um País a descobrir
Nas voltas pelas organizações regionais, a imensa variedade dos produtos tradicionais e genuínos trazidos à gastronomia e ao artesanato atraiu os visitantes. Junto aos restaurantes, no ar guloso apuraram-se cheiros e adivinharam-se sabores da boa mesa portuguesa. Quer fossem inusitados ou comuns, festivos ou de jorna, feitos seguindo a receita ou inspirados nela, para consumo no local ou para levar, as ementas anunciavam sopas, carnes, peixes, mariscos, saladas, frutas frescas, em calda e secas, doces conventuais e correntes, vinhos DOC e finos, águas e sumos. Lembre-se que muitos ingredientes e alimentos, apesar de ancestrais, só após as transformações e as mudanças económicas trazidas pelo 25 de Abril de 1974 puderam ser conhecidos e adquiridos pelo povo.
A relação estreita com quem produz resultando nas escolhas criteriosas dos produtos por parte das organizações foi novamente confirmada pela rapidez com que tabuleiros, panelas, tachos, fornos e grelhas ficavam vazios durante as refeições. E, com tanta diversidade, houve quem se deixasse tentar pelos menus menos conhecidos e quem logo pela manhã seguisse certeiro para adquirir as senhas nos restaurantes e bares conhecidos. Nas bancas, o artesanato mostrou-se com peças lúdicas, utilitárias, figurativas, decorativas e reivindicativas – lembrando e exigindo direitos – cujo labor evidencia a ligação estreita entre pensamento e mão na transformação do barro, metal precioso ou não, fibra, pele, madeira, cortiça, vime, conchas, lã, vidro ou outras matérias. Muitas das peças transformaram as bancas em genuínas exposições de arte das várias regiões. E na Festa não se ficou por aí. Algumas das peças motivaram os artistas e construtores a pintá-las nas paredes em formato de grande dimensão e foi ver como serviram de cenário a muitas fotografias.
Nas regiões, as actividades económicas carecem e reclamam pela criação e qualificação do trabalho, a valorização dos salários, a comercialização dos produtos, de entre mais exigências a motivarem conversas e a clarificarem dúvidas surgidas pelas notícias que são lidas e ouvidas sobre as posições tomadas pelo Partido. Da mesa ao lado chegou-nos uma voz: «Olha, que o Avante! tem vindo a tratar esses assuntos. É ler e deixar na caixa do correio dos vizinhos.» A Festa tem destas coisas. Nela as conversas são apetitosas como as cerejas do Maio dos trabalhadores.
E quem gosta de usar T-shirts com mensagens que apelam para a transformação do Mundo lá estava aquela loja onde as gravações de texto e imagem são criteriosamente feitas a pedido de cada um. Pela Festa lia-se nas T-shirts mensagens como A Festa dura um ano inteiro ou A minha primeira Festa do Avante!, entre muitas outras com as quais por certo nos cruzaremos nas ruas das nossas regiões.
Ao circularmos pelo terreno encontrámos brigadas de militantes a conversarem com visitantes dando-lhes a conhecer melhor o Partido que por todo lado é mostrado e convidando-os a aderir às suas iniciativas e convicções. Para muitos desses visitantes esse é o contacto determinante para os levar a tomar o Partido que têm a seu lado todos os dias.
Nas idas e vindas pelo nosso País trazido pelas organizações regionais, cruzamo-nos com grupos de várias gerações que fazem a Festa. Uns são visitantes. Outros são construtores como a Luz e o Eduardo (que são) pais da Catarina (que é) mãe da Mónica e do Ricardo.
Espalhadas pelo terreno estiveram peças de média e grande dimensão com símbolos da bandeira comunista, cravos e a sigla SNS em letras recortadas, entre painéis de grande superfície a divulgarem as iniciativas do Partido.
Entre as novidades encontradas nesta 47ª edição está a construção e fixação de equipamentos duradouros como acessos, iluminação, mais extensões sombreadas e prados, ecopontos, cadeiras, arvoredo, pontos de energia, mapas de localização e um conjunto de baloiços e a renovação de materiais em escadas e rampas.