11.ª AOR de Setúbal mostra Partido que faz por acontecer
«Podemos ter a voz mais potente, a proposta mais bem feita, a ideia mais bela. Tudo isto é certamente muito útil. Mas precisa de ser concretizado na acção de todos os dias», sintetizou Paulo Raimundo no encerramento da 11.ª Assembleia da Organização Regional de Setúbal (AORS), que decorreu domingo, 5, no Cineteatro São João, em Palmela.
A reunião magna foi uma grande realização colectiva
Trazer o Partido para a rua afirmando as suas razões, propostas e projecto, ligá-lo aos problemas concretos assumindo a iniciativa, reforçar a sua organização e influência entre as massas, particularmente entre a classe operária e os trabalhadores, foram ideias-chave que sobressaíram na AORS e desde logo levadas a cabo.
Com efeito, a Assembleia dos comunistas da região de Setúbal foi uma grande realização colectiva. E porque terminou com um desfile no centro de Palmela para comemorar os 102 anos do PCP, deu o mote para que, sem receios, se dê a mostrar o que somos e queremos (ver páginas 4 e 5).
De resto, como sinalizou o Secretário-geral do Partido na intervenção de fecho da iniciativa, «quanto mais próximo das pessoas estivermos, mais esclarecimento fizermos, mais lutas travarmos pelas reivindicações concretas, menos espaço daremos ao preconceito e ao anti-comunismo. Cada passo adiante que damos, mais os que nos atacam ficam a falar sozinhos e mais serão aqueles que se juntarão a nós. Porque é aí o nosso lugar, juntos aos problemas e anseios das populações, a esclarecer e a dar a conhecer as nossas posições, propostas e programa».
A abrir, também Armindo Miranda, da Comissão Política, que saiu da mesa onde se encontravam, entre outros, José Capucho, do secretariado do Comité Central, e Albano Nunes, da Comissão Central de Controlo, referiu-se a essa necessidade vital, chamando-lhe mesmo o «alimento diário sem o qual o nosso Partido não vive de maneira saudável». Mais tarde, João Martins relevou, igualmente, o papel determinante das 43 comissões de freguesia e das 4 comissões locais ou de bairro da ORS nessa relação. O que foi atestado, sem iludir insuficiências mas indicando exemplos concretos, pelos testemunhos de camaradas sobre o esforço de manutenção do núcleo activo, elevação da militância e renovação das estruturas de direcção (Seixal ou Alcochete), pelos relatos sobre a situação na Saúde e Educação no distrito, os direitos de pais e crianças, o movimento das mulheres, os reformados (avançou-se na constituição de células específicas e na responsabilização em todos os concelhos), o movimento associativo e popular, ou sobre a dinâmica impressa em várias organizações à luta das populações em defesa do SNS, dos transportes, da escola pública (Barreiro, Setúbal, Palmela, Moita e JCP).
Ligação e proximidade às pessoas, insista-se, que é fundamental no trabalho autárquico, sendo certo que, como referiu Nuno Costa, para que a CDU se mantenha como a força determinante que é na região, importa igualmente articular melhor as células de eleitos com os trabalhadores comunistas, reformados, movimento associativo e popular.
Sem mácula
Importa, por outro lado, reportar que a AORS teve uma organização impecável ao longo de todo o dia, incluindo com um extraordinário almoço, confeccionado, servido e partilhado tendo como principais ingredientes e tempero a fraternidade militante.
Sublinhe-se, além do mais, que durante a Assembleia foram feitas 47 intervenções abordando todas as áreas da vida partidária e o essencial dos problemas e potencialidades do povo e do distrito. O que se reflecte na resolução política aprovada, após acolhimento de cerca de meio milhar de propostas de alteração, durante os trabalhos no processo de discussão da proposta de documento, como deu a conhecer João Pauzinho. Processo democrático de discussão e eleição atestado pelas 83 assembleias plenárias realizadas, nas quais foram eleitos os cerca de 400 delegados presentes, informou Débora Santos.
Lá, na empresa e local de trabalho
Com mais de 70% dos 9531 militantes na AORS sendo operários ou empregados, mas apenas metade organizados por sectores, empresas ou locais de trabalho, coloca-se como prioridade fortalecer as células, admitiu Joana Antunes. Ainda assim, em quatro anos foram criadas 4 novas e reactivadas 5 no distrito. A necessidade advém não apenas da natureza de classe do Partido, mas da urgência de organizar, mobilizar e intervir onde o antagonismo entre exploradores e explorados é mais cru.
Intervenção dos comunistas e do movimento sindical unitário que foi determinante e obteve resultados tangíveis, como elencou Eduardo Vieira e detalharam camaradas que trabalham nos SIMARSUL, Lauak, Navigator, Visteon e Hanon. Acção que fornece ao PCP novos quadros para a luta e dinamizam-na, como relataram militantes que integram células naquelas empresas e na Autoeuropa; como transmitiram camaradas do organismo criado pela ORS para as grandes empresas integrando camaradas com experiência sindical (1 recrutamento na Coca-Cola e acção reivindicativa); da célula da CM do Seixal (18 novos militantes em 4 anos e objectivo de funcionamento regular dos 13 núcleos); da célula do complexo industrial da Autoeuropa (reeditado boletim e realizada reunião com militantes e trabalhadores que se destacam, resultando já num recrutamento).
Prioridade, insista-se, que é reconhecida pelo conjunto do colectivo partidário. E, nesse sentido, foram apontados objectivos de crescimento da organização do PCP, entre quem trabalha e cria riqueza, por parte de comunistas da célula da CM de Almada e SMAS (reactivação do núcleo de Vale Figueira é crucial), da concelhia de Almada (onde estão sinalizados o Arsenal do Alfeite, cuja célula foi já reactivada, e o Hospital Garcia de Orta como urgentes); da concelhia de Sesimbra (nesta, às assembleias de organização freguesia juntou-se a da célula da Câmara, ao fim de 36 anos, e a criação de comissões para intervir entre os profissionais da pesca e da cultura).
Urgente é, igualmente, fortalecer o combate de classe na pesca artesanal e costeira, com o contributo essencial dos comunistas na ligação aos camaradas de trabalho e no fortalecimento do Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Sul; reforçar o Movimento Sindical Unitário e as acções reivindicativas agendadas, como notou Luís Leitão. E, na verdade, os membros do Partido não podem ficar à espera por melhores dias.
Onde está um militante, está o PCP, ideia de pontapé de saída que um camarada, médico no Hospital de São Bernardo, materializou assumindo a tarefa de reactivação da célula assim que chegou a Setúbal, estando o trabalho a dar os primeiros passos.
Sem esquecer
Na 11.ª AORS foram ainda aprovadas a proposta de composição da nova direcção, que logo depois da sessão reservada aos delegados reuniu e elegeu os seus organismos executivos, bem como moções pela paz e contra a guerra, contra a privatização da EGF, e sobre a luta dos trabalhadores.
Foram também feitas intervenções sobre a comemoração dos 50 anos do 25 de Abril, sobre a importância do trabalho de fundos, do seu aprofundamento, controlo de execução e audácia (no Montijo, os convívios já permitem sustentar os custos do Centro de Trabalho); sobre a Festa do Avante!; a agricultura no distrito; a informação e propaganda; sobre o balanço da intervenção dos deputados do PCP eleitos pelo círculo eleitoral de Setúbal (Paula Santos e Bruno Dias) e as responsabilidades dos governos, submetidos à UE, no «marcar de passo» do desenvolvimento no distrito e na degradação dos serviços públicos, pesem embora as reiteradas propostas do Partido em sentido contrário.
No sacrifício dos trabalhadores
está o lucro dos capitalistas
A encerrar os trabalhos da AORS, Paulo Raimundo desferiu críticas certeiras à política do Governo PS que, com o apoio mal disfarçado de PSD, CDS, Chega e Iniciativa Liberal, permite aos grandes grupos económicos, e à banca em particular, registar lucros recorde, à custa da penúria crescente dos trabalhadores.
As desigualdades e as injustiças são, por isso, marcas da realidade. Os números não enganam e o Secretário-geral do Partido não se coibiu de os recordar: são «mais de 3 milhões de trabalhadores que ganham menos de mil euros brutos por mês», são «dois milhões de pessoas na pobreza, dos quais 385 mil crianças».
Em contraste, insistiu, «os 5% dos mais ricos concentram 42% de toda a riqueza criada no País».
Ora, «o PS acha que está bem. PSD, CDS, Chega e IL acham o mesmo. Nós achamos que isto não pode continuar e tem que acabar».
Paulo Raimundo deu exemplos desta convergência favorável ao capital monopolista e, salientando o problema da habitação, apontou o dedo ao Governo por avançar medidas que, «põem o Estado a pagar a factura, não beliscam sequer os interesses da banca e do imobiliário». Não admira que a banca continue a falar num «super ano», acrescendo o facto de que «só os 5 maiores bancos a actuar em Portugal alcançaram, em 2022, mais de 2500 milhões de euros de lucros, mais 81% em relação a 2021», realçou o dirigente comunista.