Um Partido em reflexão e movimento para reforçar as lutas no distrito de Lisboa
A X Assembleia da Organização Regional de Lisboa (AORL) do PCP, que se realizou dia 4 na Voz do Operário, constitui-se como um momento ímpar para os comunistas da região. Balanços, novas linhas de trabalho, discussão intensa e compromissos para o futuro foram elementos em destaque ao longo do dia.
«É preciso ligar mais o Partido às massas, à vida e à luta»
A discussão, a reflexão e profunda democracia interna são elementos indissociáveis ao funcionamento do PCP. A X AORL não demonstrou ser excepção. O balanço do intenso trabalho realizado ao longo dos últimos quatro anos, a organização partidária e aspectos de funcionamento interno, os anseios da juventude e os problemas de quem trabalha, a luta e as suas assinaláveis conquistas e ainda as avaliações de quem procurou experimentar novos métodos de trabalho e intervenção – tudo coube naquela assembleia e nela tudo foi discutido de forma franca e clara. De igual forma, e tal como sucede em qualquer outro momento de debate interno do Partido, estiveram presentes as deficiências, as dificuldades, os retrocessos.
Ali estiveram presentes 510 delegados – com uma idade média de 49,5 anos, em que o delegado mais jovem tinha 17 anos e o mais idoso 82. Segundo o relatório elaborado pela Comissão de Verificação de Mandatos, 40,6 por cento dos militantes eleitos para assembleia eram mulheres e 59,4 por cento homens. Já a composição social dos delegados confirmou a natureza de classe do PCP, sendo que 47,8 por cento deles eram operários e empregados. 127 dos 510 delegados inscreveram-se no Partido desde a última AORL, o que, por sua vez, revelou a capacidade de rejuvenescimento daquela organização regional do Partido.
Mas não foram «apenas» estes 510 militantes a participarem na discussão e no processo de construção do Projecto de Resolução Política que, no final da assembleia, seria aprovado apenas com uma abstenção: ao todo, durante os últimos meses, realizaram-se 134 assembleias electivas em que participaram 1359 militantes; a Comissão de Redacção acusou a recepção de mais de 200 propostas de alteração que, na sua maioria, contribuíram para o enriquecimento do documento, que constitui agora um importante instrumento de intervenção política no distrito, que orientará a acção do colectivo partidário ao longo dos próximos anos.
A assembleia elegeu, numa sessão reservada a delegados que se seguiu ao almoço, a nova Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP (DORL): composta por 73 membros (17 dos quais não integravam o organismo cessante), que reforça a componente de operários e reformados.
Criatividade e resistência
Ao longo dos últimos quatro anos, a Organização Regional de Lisboa do PCP foi confrontada com os mais diversos desafios, algumas das quais novos, a que teve de dar resposta – salientou Ricardo Costa, membro da Comissão Política e responsável pela organização regional, a quem coube abrir os trabalhos: a epidemia, as batalhas eleitorais, a intervenção em torno de múltiplos problemas, em todos estes momentos o Partido esteve presente, destacou o dirigente comunista, salientando a capacidade que a organização revelou para encontrar novas formas de funcionamento e dar cumprimento às múltiplas e exigentes tarefas.
Foi, aliás, com essa «resistência e capacidade criativa», revelada até mesmo nas «circunstâncias mais inesperadas», que os comunistas do distrito contribuíram para a construção da Festa do Avante!, receberam o XXI Congresso do PCP e celebraram o seu centenário em dois grandes comícios, no Praça do Rossio e no Campo Pequeno, e em várias outras localidades. Mas foi também assim que deram um importante contributo para a concretização dos objectivos políticos, orgânicos e financeiros do Partido, que o reforçaram com a formação de 22 novas células, o recrutamento e responsabilização de quadros e a realização de 60 assembleias de organização.
«Muito trabalho temos tido e muito temos pela frente, sabemos que nem sempre conseguimos responder da melhor forma, e que temos muito para melhorar, mas, camaradas, o balanço que devemos fazer é de uma grande resposta», constatou Ricardo Costa. «A de termos estado à altura das exigências que se colocaram e se colocam a esta organização, com a certeza que temos de prosseguir com confiança e determinação», continuou. «Temos muitas potencialidades por explorar, muita capacidade por aproveitar, depende de nós e da nossa vontade de ir mais além», salientou por fim.
Na mesa da assembleia estavam ainda, entre outros, Paulo Raimundo, Secretário-geral do PCP que viria a usar da palavra no comício de aniversário que se seguiu (ver páginas 4 e 5), Francisco Lopes, da Comissão Política e do Secretariado, e Luísa Araújo, da Comissão Central de Controlo.
A vida passou pela AORL
Na AORL contabilizaram-se 53 intervenções e, nestas, tudo coube. Falou-se de temas centrais como a organização, a militância e a formação ideológica, onde se destacoua importância dos militantes, do Partido e da preparação de cada um para o combate no plano das ideias. Referiu-se a imprensa do Partido – o Avante! e O Militante – e o seu papel insubstituível na acção dos comunistas.
Igual relevo teve o trabalho unitário e a necessidade de chegar mais longe e a mais pessoas através do movimento sindical, estudantil e associativo. Abordou-se o recrutamento e a integração de novos militantes, a ofensiva ideológica contra o Partido, a luta dos trabalhadores e o seu papel fulcral na conquista de melhores condições para o povo em geral. Não se deixou de fora a independência financeira e o seu papel como garante de um Partido ideologicamente independente, nem a Festa do Avante!. Destacou-se os problemas na habitação e o trabalho autárquico.
Presentes estiveram, igualmente, as experiências de cada local de trabalho, as lutas, os retrocessos e as conquistas nas empresas, concelhos, freguesias e demais espaços. Foi o militante que interveio sobre o sector da limpeza e os muitos que falaram sobre o Serviço Nacional de Saúde e as várias questões que o rodeiam. Os que falaram em nome da célula da Carris, do sector dos ferroviários ou dos CTT. Os que abordaram as lutas, problemas e a realidade concreta dos concelhos do distrito ou o que trouxe à discussão os problemas dos reformados. Os que falaram em nome do Sector Intelectual ou dos jovens da JCP.
Nem o Aeroporto Humberto Delgado ou a vitória popular no referendo local em Benfica contra o estacionamento tarifado ficaram de fora. A vida e tudo o que ela significa para quem vive e trabalha no distrito de Lisboa, estiveram ali presentes. Com confiança num futuro melhor, trocou-se experiências e delineou-se novas linhas de trabalho.
Dali, os comunistas de Lisboa saíram preparados para mais quatro anos de intenso trabalho em prol dos trabalhadores e da população do distrito.
Exigir a paz e assinalar Abril
Às dezenas de intervenções realizadas, ao debate, à aprovação da Resolução Política e à eleição da nova DORL , acrescentou-se a aprovação de duas moções: Pela paz! Exigimos o fim da escalada de confrontação e guerra! e Abril é mais futuro.
A primeira reafirmou que é necessário expressar solidariedade para com as vítimas de todas as guerras; apelou à intensificação da resistência e luta de países e povos em defesa da sua soberania, direitos e pela construção de uma nova ordem internacional de paz e progresso social; reiterou o firme compromisso que o PCP sempre teve com a paz e comprometeu a Organização Regional de Lisboa com o aprofundamento do trabalho em iniciativas que promovam a defesa da paz.
A segunda destacou os valores de liberdade, democracia, justiça social, paz e soberania projectados pela revolução, as conquistas alcançadas pelos trabalhadores e pelo povo e afirmou o empenho dos comunistas do distrito na celebração do 50.º aniversário do 25 de Abril.