Espalhafatosos ou «rigorosos»: o PCP é para apagar
Março é o mês em que o PCP assinala o seu aniversário, um Partido com uma história, uma intervenção e um projecto de futuro de que se orgulha e que se assinalou no passado fim-de-semana no comício realizado, sábado, na Voz do Operário. Foi, indiscutivelmente, a iniciativa política e partidária mais relevante do dia, um sábado com outras importantes acções de luta, nomeadamente a manifestação de mulheres no Porto e de professores em Lisboa e no Porto – esta última que, justificadamente, abriu os alinhamentos dos principais noticiários televisivos do dia.
Mas olhando com atenção às opções assumidas pela RTP, SIC e TVI nos seus jornais das 20 horas damos com caminhos distintos, ainda que todos eles cheguem a resultados idênticos: o rasurar ou subalternizar o comício de aniversário do PCP.
Comecemos pela TVI. Prosseguindo a sua reorientação estratégica na informação, cada vez mais a pender para o sensacionalismo e menos para o rigor e seriedade (não por acaso é líder nos direitos de resposta que se vê obrigada a transmitir, como aconteceu no próprio dia 4), passou ao lado do comício de aniversário do PCP, ainda que tenha passado declarações de Jorge Pires na manifestação dos professores em Lisboa. Ainda assim, a TVI encontrou espaço para incluir uma resposta de Catarina Martins (BE) sobre um dos temas que trataram no noticiário, os abusos sexuais na Igreja Católica. Curiosamente, também incluiu uma peça sobre as medidas do Governo para a habitação – matéria que constava na intervenção do Secretário-Geral do PCP nesse dia e cuja passagem até foi destacada por outros órgãos de comunicação social.
Na SIC, o alinhamento não diferiu muito – lá estiveram as mesmas declarações sobre abusos sexuais na Igreja Católica, assim como uma peça sobre habitação (sem PCP). Num noticiário que se tenta apresentar como um pouco mais sóbrio, o olho editorial de quem definiu o alinhamento do Jornal da Noite reservou um pouco mais de um minuto para uma iniciativa política do dia. Mas a atenção da estação televisiva não foi para o comício de salão cheio na Voz do Operário, antes para um almoço de tomada de posse da distrital de Portalegre do PSD. Talvez seja um reconhecimento da SIC de uma incapacidade em tratar o PCP com rigor e isenção, depois de há um ano a ERC ter reconhecido a manipulação patente na peça sobre o comício do 101.º aniversário do PCP, no Campo Pequeno.
Por fim, a RTP foi a única estação em sinal aberto que deu espaço ao comício da Voz do Operário, já no final do alinhamento, depois de Luís Montenegro e Catarina Martins e com a peça mais curta daquele Telejornal.
No dia seguinte, domingo, realizou-se a Assembleia da Organização Regional de Setúbal do PCP, uma importante e muito participada iniciativa, mas quem viu televisão nesse dia não deu por isso – em sinal aberto e nos canais informativos. É que a Palmela, ao contrário do almoço do PSD em Portalegre no dia anterior, não se deslocou nenhuma equipa de televisão. Depois do silenciamento total em Janeiro pelas televisões privadas, voltamos ao mesmo registo neste início do mês em que se assinalam 102 anos de luta do PCP.