PCP com propostas para o OE 2023
O PCP anunciou anteontem as primeiras propostas de alteração ao Orçamento do Estado, visando valorizar o poder de compra de salários e pensões, regular preços de bens e serviços essenciais, defender o SNS e promover a justiça fiscal.
A proposta de OE agrava a transferência de verbas para o capital
Como tinha já anunciado, o PCP opõe-se à proposta de Orçamento do Estado apresentada pelo Governo (cujo debate teve início ontem e que será hoje votada na generalidade) e intervirá com soluções para responder aos problemas concretos que afectam os trabalhadores, o povo e o País e demonstrar que é «necessário e possível um caminho alternativo» àquele que o Governo prevê aprofundar, afirmou em conferência de imprensa Paula Santos, membro da Comissão Política e presidente do grupo parlamentar.
Enunciando o primeiro grupo de propostas do PCP para o debate na especialidade, a dirigente e deputada comunista começou por defender aumentos das pensões «sem cortes em relação à lei em vigor, com um aumento no mínimo de 50 euros». O PCP propõe ainda a fixação de preços de referência para combustíveis e bens alimentares, na grande distribuição, que deverão ter em conta os custos reais e não as margens e componentes especulativas.
Para contratar e fixar profissionais no Serviço Nacional de Saúde, o Partido propõe a implementação de um regime de dedicação exclusiva, com a majoração de 50% na remuneração base e a progressão mais rápida na carreira. Defende também o alargamento da atribuição de incentivos adicionais para a fixação de médicos e enfermeiros em áreas com carência em saúde, como a criação de um novo apoio para compensar as despesas com habitação.
Justiça fiscal
Na área fiscal, o PCP propõe o reforço da progressividade do IRC, reduzindo a tributação das MPME e agravamento o imposto sobre lucros dos grupos económicos, «designadamente a taxa de 35% para lucros acima dos 50 milhões (atinge entre 40 a 50 empresas)». Defende ainda a eliminação da proposta do Governo que alarga sem prazo limite o reporte de prejuízos fiscais e dos benefícios fiscais dirigidos aos grupos económicos, aos grandes proprietários e às grandes fortunas.
Os comunistas defendem que seja aplicada uma contribuição extraordinária aos sectores da energia, da grande distribuição, da banca e seguros, com incidência nos lucros obtidos 2022 e 2023, e o englobamento obrigatório de todos os rendimentos no último escalão de IRS. Relativamente a este último imposto, fez saber que avançará com a actualização dos escalões em 7,8% (inflação prevista pelo BdP e CFP), ou seja, «acima do que o Governo prevê», e ainda com o aumento do valor do mínimo de existência e sobretudo da dedução específica.
Quanto ao IVA, propõe a «aplicação universal da taxa reduzida (6%)» à eletricidade, gás natural, GPL e gás de botija, e a intermédia (13%) às telecomunicações.