José Saramago evocado na Póvoa de Varzim
A Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, na Póvoa de Varzim, encheu-se no sábado, 1, para a sessão pública evocativa do centenário do nascimento de José Saramago. A iniciativa inseriu-se nas comemorações promovidas pelo PCP sob o lema Escritor universal, intelectual de Abril, militante comunista.
Na mesa estiveram João Pimenta Lopes, membro do Comité Central e deputado no Parlamento Europeu; José António Gomes, escritor, professor e membro do Sector Intelectual do Porto; e os professores José Rui Ferreira e Mário David Soares, respectivamente das comissões concelhias da Póvoa de Varzim e de Gaia.
A vida e a obra de José Saramago, em particular de A Caverna (2000), deram o mote ao debate de questões tão prementes quanto a imposição de um pensamento único, como aquela que hoje se verifica nos países da União Europeia, ou os problemas que afectam os trabalhadores e os pequenos produtores face ao avanço impetuoso do capitalismo dominante.
Coube a José António Gomes a apresentação mais minuciosa daquela obra de José Saramago, a primeira publicada após ter recebido o Prémio Nobel da Literatura, em 1998, que conta a história do oleiro Cipriano Algor, da sua filha Marta Algor e do genro Marçal Gacho, confrontados com o cancelamento de todas as encomendas e a necessidade de mudar radicalmente o rumo das suas vidas.
Como afirmaria João Pimenta Lopes, fala-se ali da desvalorização e fim do trabalho, do papel da grande distribuição no condicionamento da produção e das «necessidades de mercado». As vidas destas personagens, acrescentou, poderia ser a de tantos outros com que diariamente nos cruzamos, «a quem se impõe a segregação, as desigualdades, a desesperança e ausência de vislumbre no futuro, secundarizados, descartáveis, enfim». José Saramago, prosseguiu o deputado comunista, «tinha no marxismo a sua forma de compreender o mundo, nós teremos em Saramago uma visão literária do mundo e em Marx – e Lénine – a força para o transformar».
Na ocasião, foi ainda inaugurada uma exposição de textos originais autografados e de obras plásticas, a qual se manterá aberta ao público até depois de amanhã, 8 de Outubro.