Sobre o apoio aos refugiados em Setúbal
Reagindo a uma notícia publicada pelo «Expresso» relativa ao apoio a refugiados ucranianos por parte da Câmara Municipal de Setúbal, o gabinete de imprensa do PCP divulgou, logo no dia 29, uma nota em que sublinha que «o trabalho com imigrantes que há muito se desenvolve no município de Setúbal caracteriza-se por critérios de integração e amizade entre os povos onde não prevalecem nem exclusões nem sentimentos xenófobos».
«Neste momento, em que se impõe um reforço do apoio aos refugiados, em particular aos ucranianos, esta concepção humanista é ainda mais importante», acrescenta-se no texto.
Recorde-se que a notícia do semanário surge no contexto de uma campanha de defesa da escalada da confrontação e da guerra, de instrumentalização política de conteúdo antidemocrático e de pendor anticomunista a partir daqueles objectivos.
Ao lançar-se sobre o trabalho desenvolvido pelo município de Setúbal no acolhimento de refugiados um conjunto de acusações, suspeições e calúnias, exacerbam-se ódios e fracturas sociais entre povos e nacionalidades diferentes, desestabilizam-se as relações com as comunidades estrangeiras residentes, e, com objectivos políticos e eleitorais, denigre-se uma autarquia que tem feito um continuado esforço de integração de imigrantes de diversas origens, países e continentes Um trabalho reconhecido que faz de Setúbal um espaço de multiculturalidade, convivência e partilha de projectos entre a comunidade que aqui tem origem e as muitas centenas de pessoas, vindas de outros pontos do mundo, que no concelho encontram acolhimento e condições de uma vida melhor.
Esclareça-se, ainda, que ao contrário do que foi veiculado, que a autarquia de gestão CDU trabalha há anos com diversas associações, incluindo a referida na notícia do «Expresso», a qual, note-se também, é constituída por membros de diversas nacionalidades.
Como foi entretanto divulgado e confirmado, outras autarquias do País têm processos de trabalho idênticos e a associação em causa tem trabalhado com relevantes estruturas e entidades da Administração Central, sob responsabilidade do Governo. Assim, a fixação no município de Setúbal, a deliberada ocultação de que os procedimentos adoptados pelos serviços da autarquia são determinados por protocolo do Alto Comissariado para os Refugiados e de outras entidades públicas, e a omissão do facto de que aquela associação é largamente reconhecida pela comunidade setubalense (como testemunha a aprovação, por unanimidade na Câmara Municipal, dos apoios à sua actividade ou a relação institucional que mantém com o SEF), são prova da descarada manipulação a que este caso tem sido sujeito.
Fazer eco do discurso de teor fascizante e xenófobo para denegrir o nome e o prestígio do município de Setúbal, da sua população e da gestão CDU, pode acarretar consequências negativas para o concelho e a sua comunidade, desde logo para aqueles que são vítimas directas desse discurso.
É por isso que o PCP e a CDU têm vindo a reafirmar o propósito de prosseguir a sua intervenção, ditada pelo desenvolvimento do concelho e os interesses e direitos das populações, por critérios de integração e amizade entre os povos, combatendo exclusões e sentimentos xenófobos. Critérios que revelam uma concepção humanista ainda mais importante num momento em que se impõe um reforço do apoio aos refugiados, em particular aos ucranianos, e a todos quantos fogem da guerra ou da fome, independentemente da latitude da sua proveniência.